Da tua chegada ao teu adeus, tudo revira e vira poesia em mim.
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Sufoco.
Sufoco por ser brutal, mortal, imoral.
Sufoco sem jeito de querer por
não saber sufocar proposital.
Sufoco as certezas, os medos,
os laços e abraços.
Sou uma experiência perfeita de sufocar amor.
Sufoco um soco dado em mim
no segundo que mereci, sufoco.
Nem creio que poderá resolver,
é desrespeito meu brutal.
Sou criatura pequena de olhos
atentos e ternos, prontos pra lhe deixar,
prontos pra lhe levar, amar.
Sou criatura brutalmente amor.
Sufoco.
Saudade direcionada.
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| Luigi |
Mãe.
Tô no Rio há três semanas e a saudade do seu carinho me aperta a cada dia.
Todos os dias ao levantar lembro do teu riso me despertando pra mais um sol. E no almoço o estômago reclama por falta do seu tempero único e delicioso. Tenho comido muita salada, peixe, frutas. Estou me alimentando bem. O papai tem se esforçado pra me agradar, ontem mesmo passeamos por Copacabana. Gosto da cidade, mas não gosto da distância, eu odeio ficar longe de você.
Tenho lido muito com a vovó, ela é especialista, como diria ela, em Drummond. Estou gostando da leitura. Outro dia ela leu "Caso do vestido", juro eu eu lembrei logo da senhora. Minha infância ao seu lado, meus questionamentos. Que saudade da senhora, minha mãe.
Agora estou me preparando pra dormir, enquanto vovó traz meu leite eu te escrevo esse email. Ah, preciso confessar que acho vovó meio louca. Perdão por dizer isso, mas ás vezes ouço ela conversando sozinha. Acredita que um dia eu peguei ela conversando com a senhora? Na cabecinha dela a senhora a ouvia e olha que nem estava no telefone.
Bem, vou me deitar, estou com muito sono e amanhã papai vai me levar em um museu.
Sinto saudade sem fim. Te amo.
Enviar email.
- Pai, qual o email do céu?
Guri.
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| Jim |
Meu menino de pouco me dá orgulho, joga bola de mansinho e tem jeito de homem.
Domingo é dia de feira e ela vai se rindo de enganar os clientes e vender suas tralhas,
seus mimos pra poder dar à mãe o alimento necessário de semana em semana.
O menino do outro lado tenta enfrentar, mas ele não é pra qualquer um não, dá rasteira
se brincar, ponta pé, cascudo e sabe correr bem, bom guri.
Ele vai crescendo e eu espantando dele a vagabundagem, os bandidos de lá da comunidade,
quero meu menino bunito e trabalhador de ser vivo e honesto, é o meu guri.
Chico que me inspira.
Loucura do ser.
Teu gesto e gosto ficou aqui.
E eu não tenho loucura ou coragem suficiente para matar tua presença.
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| Thiago Ramos |
As ruas seguirão suas estradas até seu fim, mas eu seguirei sem o fim.
O que sustenta minha alma é mesmo e igual a ti, talvez seja.
O mar irá banhar e apanhar sombras de becos e mortos surgiram de terras
distantes, pra trazer um pouco mais de sal aqui na língua exangue.
Pobre, podre de mim. Poeta largado em colo de dona moça sumiu,
aquele de todas as manhãs em minhas caminhadas de acordar, despertar.
Levante-se! Assusta teu ódio e transforma teu tédio em casa, abrigo
de moradores de lugar nenhum. Seja vivo ou morto, mas seja algo
que possa incomodar a vida de mariposas e os sonhos de cigarras.
Grilos não! Odeio grilos.
Que seja assim, como tem que ser, para toda vida.
Jovem poeta.
♫ "Vou colecionar mais um soneto, outro retrato em branco
e preto a maltratar meu coração." ♫
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| Antonis |
O jovem poeta pede porre de amor, pra curar a ressaca d'um.
Ele quer aos poucos morrer de tédio e banhar-se de medos vãos
que dão em praças pagãs e em esquinas de demônios.
Morte e vida!
O poeta sabe de penar, de águas, de morenas e outros homens
que de bêbados não equilibram nem a própria luz.
Ele não sabe nada da vida, o que se sabe é isso aí... nada.
Maldito seja quem criou o amor, se foi o próprio deus tornou-se
tão ridículo, a deus não me humilho por amor algum, já me basta a morena.
Deixe estar a mesma situação de uma outra vida, poeta.
Seja o que és sem mais e nem poucas gotas, seja.
O que importa é estar aqui e ser assim, tu de tu. Chegou a hora
de olhar teus olhos e lhe dizer adeus a si mesmo.
Do realizar.
- O senhor não sabe?
- Para dizer o que eu sinto, quero saber antes se o que eu sinto é o mesmo que se deve sentir quando se está realizado, ou se julgar estar. E para isso é preciso saber o que é estar realizado.
Gravação. Drummond.
Ausência.
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| Marta |
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade.
Minha Deusa, minha CéU.
Sou suspeita, estou sujeita.
Mais que bom, maravilhoso.
Mais que bom, maravilhoso.
Ela vem com coisa nova e fala por mim... entenda.
Teve, sim.
Ao som de Cartola.
"... eu vivia tão contente, como contente ao teu lado estou..." ♫
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| Marta |
E se tratando de amor, cada qual em seu lugar. Outros existem, outros passaram.
Dora, entenda que o amor que ele sente por ti é único, o da outra dona se passou.
Não existe escolher, a felicidade é essa ao teu lado. Ele é feliz assim.
O poeta inspirou-me.
Salve Cartola!
A de sempre.
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| Helen |
- Você esta divagando.
- Estou. Divagar é uma forma de transformar pensamentos em nuvem ou em fumaça de cigarro, fazendo com que eles circulem por aí.
Carlos Drummond de Andrade.
Extraído do livro "De notícias e não notícias faz-se a crônica"
Rio de Janeiro 1974
Sem título, extraído d'alma.
É assim que nós morremos,
não no sentido literal,
mas sim porque tudo se desvanece
e este, é realmente o final.
O coração deixou de lutar
e agora só o vazio o sabe preencher
e por muito que se tente afastar,
há sempre algo que o faz reviver.
É de lamentar a distância,
que tem sido uma constante repetição,
que apensa fortalece a mágoa
e aumenta a desilusão.
É de lamentar a indiferença,
que repentinamente, sempre vem surgir,
que afasta as ilusões
e a simplicidade de sorrir.
É de lamentar tudo isto,
todo este processo tão nosso conhecido,
que sempre aumenta a tristeza,
como se nada tivesse existido.
Incógnita.
Leia esse e outros textos aqui.
não no sentido literal,
mas sim porque tudo se desvanece
e este, é realmente o final.
O coração deixou de lutar
e agora só o vazio o sabe preencher
e por muito que se tente afastar,
há sempre algo que o faz reviver.
É de lamentar a distância,
que tem sido uma constante repetição,
que apensa fortalece a mágoa
e aumenta a desilusão.
É de lamentar a indiferença,
que repentinamente, sempre vem surgir,
que afasta as ilusões
e a simplicidade de sorrir.
É de lamentar tudo isto,
todo este processo tão nosso conhecido,
que sempre aumenta a tristeza,
como se nada tivesse existido.
Incógnita.
Leia esse e outros textos aqui.
Ignorar não resolve. Amor há, sempre houve.
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