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Recorda mainha.

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Eu era menina, mas de vez eu recordo do pirão de mainha, acontecia nos domingos, junto com o futebol dos menino da rua e o samba na porta da casa de Dona Alzira. Eu me entregava pro pirão, arriscava na bola chutando as canela alheia e depois marcava num compasso desconhecido o samba, e ai de quem falasse mal do meu ritmo.
O fim do dia chegava, banho me tomava e mainha preparava a noite pra gente. Eu brincava de cantar com as meninas e depois corria com os meninos. Nos gritos o banho e mainha me pegava outra vez, e na calmaria dos olho dela eu repousava meu dia. 

Recordações bunitas que a vida me deu.

Crianças...


A outra rua é um bairro,
o outro bairro é uma cidade,
a outra cidade é um novo planeta.
As crianças sentem assim.

                                                                                  (re)escrito.

Cachinhos meus.

Barbara
















Espia.
Espia só essa felicidade aqui,
essa vida que se forma em mim.
Novo ar de vida, um novo olhar de amor,
dedinhos de anjo e cachos meus.
Terá seu próprio perfume e encanto,
herdará de mim somente amor e flores.
Será assim, não meu, mas a marca que
deixarei no material, aqui mesmo, até que
voltará a mim, ao meu encontro. 
E tremerei de medo, ansiedade e alegria.
Brincará de roda dentro de mim, me chamará
de um modo que nunca ninguém me chamou.
Será dengo meu, a joia mais rara que um ser
pode ter e eu cuidarei, alimentarei e amarei.
Que seja teu o amor meu, que seja teu o amor
do homem que amo, que te trouxe para mim.
Venha filho!

Dedicado as minhas mães.  

Menino.

Adriano


















Um dia aquele menino abriu o portão e correu em direção a rua.
E o mesmo menino procurou abrigo nas esquinas, buscou alimento lá na igreja do padre Damião.
Todos os dias andava descalço no asfalto e corria ao meio dia para a casa da dona Ana.
A tarde era bola com os meninos do condomínio e fim de tarde era papo com Manuela do apartamento 43.
No escuro que cobria os prédios ele procurava chão, colchão, sapato e cobertor. O seu Bezerra lhe entregava pão e leite.
Todas as noites o menino sonhava o mesmo. Um dia de sol bonito, com seu sapato novo, caminhando pela praia e seus olhos miúdos de sol.
Seu pai ao lado e sua mãe o aguardando para um abraço.

Amor, só amor por Maria.

                               Ao som de Jeneci
"Meus olhinhos brilham ao lembrar da tua existência."

Sandy


















Minha Maria, por onde andou todo esse tempo? Foi castigo o que fez comigo. Passei frio e fome, morri junto com a abelha que me picou, cresci com a árvore que plantei com papai e nada de você aparecer. Demorou tanto até o dia que mamãe resolveu me levar ao parque... ah Maria!
De longe eu senti teu cheiro de alfazema, vi suas mãos cheias de areia e no teu rosto um sorriso tomava conta, seus olhos brilhavam mais que as estrelas que já contei. 
-Vai brincar filho!
E eu fui, brincar não, mamãe. Eu fui amar pela primeira vez!
Aproximei minhas mãos da areia que te cercava, ameacei dizer um "olá", mas faltou coragem. Ameacei outra vez e você foi mais depressa, sempre mais que eu.
-Já ouviu falar em dragões? Papai disse que eles sotam fogo pela boca. Assim ó. 
E ela começou a ser o dragão, o meu dragão, o mais lindo de todos os dragões. Começou a correr de um lado para o outro e disse que estava voando, eu ri, cai de amores pela Maria. Logo eu também era um dragão, eu era um dragão azul e ela amarelo.
Passamos toda tarde no encantamento do parque, ou do amor. Já era tarde, precisávamos ir. Rezei para encontra-la novamente, jurei a Deus fazer toda lição de casa se a Maria fosse estudar na minha classe, de nada valeu. No outro dia mamãe me levou novamente ao parque, mas a Maria eu nunca mais vi.
Saudade de você, minha Maria. Apareça!

Em volta.

"Aprendo a andar."

Michelle Brea

























Tenho medo do que ocorre por volta,
por cima, por baixo, por dentro de mim.
Sinto-me grande, feito gente grande, mas não
esqueci e não esqueço da minha pureza-criança.
Tanta coisa mudou, tanta coisa irá mudar.
E eu te amando, eu te querendo.
Sinto-me criança nos braços de Iemanjá,
ninada por ela... e ela me acalma.
As minhas águas correm, passam.
Esse é o momento da troca das águas, águas novas virão.
Não tenho medo do que é novo, tenho medo de não ter
mais o meu velho, o meu passado de hoje.
E se um dia eu despertar desse amor?
Acabará como acabou a vida de seres,
como foi derrubado os muros... tristemente.

Acompanho-me ao um novo mundo.

Coisas.

A outra rua é um bairro,
o outro bairro é uma cidade,
a outra cidade é um novo planeta.
As crianças pensam assim.