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Segunda Tarde.


Senta teu humor
e aquece minha fadiga.
Desvia teus olhos dos meus,
cante tuas cantigas
e devore teu tempo.
Passos feito asas,
boca feito céus
e olhos feito mar.
Mãos que agarram,
ar que prende-me.
Desprenda e aprenda a viver
por ti, pelos passos teus.
Deixe-me levantar os passos,
agir de boa fé
e agredi-la de adeus.
Decora teu riso na sala
e deixe eu construir o meu.
Desfia-se de mim,
desprenda-se e parta-me.

Seis meses em fim.

 
Crio poesias dentro de mim,
crio e recrio um fim.
Leio poemas destinados
e rasgo a pele na incerteza,
na fraqueza de esquecer.
Quão tola sou!
Inútil é a utilidade desse amor,
inútil é a certeza de que será,
inútil.
Noites secas, boca fria
e ego áspero, escancarado.
O destino gritou por mim
e a poesia fico muda,
calada feito noite de outono.
Destino puxou o pé
e asas cresceram.
Destino chamou,
"o mundo novo esta por vir!",
e amor ficou, desacelerou.
Poeta não compreendeu,
canção não deu razão
e o destino foi verdade,
foi o melhor que pode acontecer
pro nosso amor.
Amanhã asas
e hoje ensaiamos adeus.
Que há de ser se não me caibo em ti?

De dois, nem um.

 Rosen
 
Dos amores, o fim,
dos males, a dor.
Café ficou pouco, frio
e o açúcar deixou, abandonou.
Cigarro queimou,
matou, apagou.
Eu viciei, presenciei.
Eu desviciei, despresenciei.
Casa ocupou, domou
e depois limpou, esvaziou.
Boca sem riso,
olhos um rio.
Olhos sem beijos,
boca sem desejo.
Viciei e acreditou.
Também preciso ser vicio.

Imersa.

                                                                       Ao som de Gal.
 
Brooke Shaden
 
Num dia de silêncio,
paz brutal me atacou.
Caiu dos olhos as lágrimas,
as lágrimas negras.
Boca seca de tristeza,
mãos tremulas desiludidas.
Num dia de silêncio
o fantasma pegou o pé.
As lágrimas escorreram e
encontrou chão, frio, medo.
Num dia de silêncio
paz brutal não chegou.
Caiu dos olhos as lágrimas,
salgadas e intensas feito mar.
Mãos tremulas de medo,
boca seca de dor.
Paz brutal atacou.
Peito doeu, olhos chorou,
pernas deixaram.
Eu escondi.
Nem sol, nem céu.
Escuro cobriu o corpo e
lágrimas negras inundou alma.
 
São dias frios,
por mais que o sol derreta pele.

Voo.

 
Meus braços são curtos,
teu corpo enorme feito mar.
Minhas mãos são pequenas,
tuas mãos árvores que tocam céu.
Meus olhos miúdos,
teu olhar tem mundo.
Meu amor singelo,
teu amor risível, irreal.
Fui um porto seguro,
despejei meu corpo em teu mar.
Fui um amor divino,
transbordei tua vida com amor.
Fui teu silêncio, fui teu canto,
fui teu cantar, eu fui.
É raso ficar, é pouco.
É raro ficar, é pouco querer.
Tudo ficou tão pouco em mim,
ficou raso aqui.
Meu corpo não cabe no teu,
tuas mãos tocam árvores e
eu desejo ar, sou passarinho.

Engano.

 
Tua saudade por mim,
teu amor derramado em colo meu.
Tuas promessas de final feliz,
teu dengo cobrindo meu corpo.
Tua vontade de ser,
teu medo de não ser.
Tua presença real,
teu gosto de gostar de mim.
Enganação.
Tuas palavras vieram,
dominaram meu cachos,
estremeceu pernas e ressecou boca.
Tuas atitudes vieram,
dominaram tuas mentiras,
estremeceu vontade de ser, ressecou amor.
É o fim do final feliz.

Foi, amor.

 
Mais uma vez fui rendida,
exposta a um amor brutal.
Depositei confiança em outros olhos,
criei em mim a perfeição de ser,
mas nunca foi.
Arranquei magoas passadas
e decidi tentar um amor,
mas não foi amor.
Tua ilusão de perfeição soprou
sobre mim, tua ilusão de amor
caiu em meu colo,
mas não foi amor.
Tua pele precisava de outra,
teus olhos precisavam de outros olhos
e assim a confusão nos pegou,
mas não foi amor.
Dores de cabeça por tanto batê-la
contra a realidade.
Dores nos pés por tanto caminhar
 na direção contrária.
Dores na alma por acreditar que
seria amor, mas não foi amor.. foi.
 
                                                        (...) esse amor hoje vai pra nunca mais voltar,
                                   como faz o velho pescador quando sabe que é a vez do mar.." ♫ 

Mesmo lugar, outro olhar.

Coloquei meu amor de forma bunita em ti pra ser bom. 
 
 Josh
 
Nos reencontramos no mesmo lugar, a mesma energia.
Mas dessa vez não foi olhar de amor sobre mim, foi coisa boba que me deu, estremeceu.
Vi teus olhos vagando em outros seios, vi tuas mãos depositadas em outras pernas, não era eu.
Por um instante meus olhos desejaram ser rio, meu dentes desejaram morte de ti e meu pequeno elemento de amor parou de bater no peito. Você me deu fim!
Embriaguei meu ego, destruí meus cacos, traguei saudade e golei de uma vez por todas essa maldita ilusão que eu criei, eu criei.
Fui tão errante quanto você por acreditar que teu dengo era meu. Fui tão tola a ponto de crer que teu ar poderia ficar um bocado aqui, fui boba.
No mesmo lugar em que meu amor foi teu, teu desprezo pregou em mim um fim de tudo.
Desenhei por dias um encanto aqui, uma possível alegria de ser. Acreditei que seria, que era.
Mas deu certo não, moça! 
 
Se queres continuar nesse teu caminho inútil, vá.
Mas não leve meu amor contigo.  

Lamento.

 
Eu lamento cada dia
que perdi ao teu lado.
Lamento cada manhã,
cada dia de sol, cada flor,
por ter perdido meus segundos
com teu "bom dia, amor".
Eu lamento cada olhar,
cada sussurro noturno,
cada prazer alcançado sem motivo algum,
prazer cheio de enganação,
prazer de momentos sem razão.
Eu lamento suas horas de leitura
ao meu lado enquanto eu matava cigarros
ao invés de você.
Lamento o café que eu te preparei,
lamento o sal no arroz,
lamento a sobremesa amarga feito tua boa.
Eu lamento por nunca ter tido a coragem
de lamentar antes de ser lamentada.
Lamento.

Pra longe.

 
Eu delicada em você,
tatuada dolorosa em pele tua.
Boca pede socorro,
dedos pedem arrego,
peitos chupados dá nó.
E o rio corre por entre pernas,
o mar instala-se nos olhos e
nosso mundo desmorona.
Vagarosa hora,
vagaroso penar.
Armengue total de um amor
fatalmente fatal, brutal.
Teus olhos denunciam que
meus olhos estão nos teus,
pura mentira, bobagem pouca,
os meus olhos inundam-se e
afogam-se por entre tantos erros,
tantas mentiras de bocas vãs.
Eu dedico o mesmo despreso
ao seu ego de ser, de estar.
Eu fui, fui pra longe de ti.

Do resto de mim.

 
De forma brutal eu suporto,
tento em dedos escorregadios
segurar um amor que sangra desconforto,
que derrama desconfiança e espia.
Sangro cada gota desse amor prematuro,
desse feto que foi arrancado de lugar bom,
arrancado da hora certa, do tempo que deveria.
É coisa irreal, coisa de que coisa as coisas,
coisa que bagunçou meu canto,
coisa que tirou o ar e que sufoca.
Queria calmaria, coisa delicada,
cartas de amor, serenatas, jardim.
Queria cada coisa de vez,
mas eu por vez não desprendi
e prendi de uma vez.
O pensamento errou-se,
os olhos rios de fim
e o amor sangra.
De amor eu já morri,
mas agora eu morro pelo teu amor, menina.
 
                                                                         "Uma guerra instalou-se aqui."

Verbo querer ser.

 
Queria uma forma exata
sem rodeios ou meio termos
só pra te odiar.
Queria um jeito amargo
sem detalhes de amor
só pra eu te matar.
Queria de alguma forma
arrancar do peito aquele desejo
de amanhã te esperar no altar.
Nem rima, nem vida.
Queria um modo de consertar sentimento,
mas de tanto querer nem eu posso ser.

Enquanto eu era.


Enquanto eu queria
teu querer tinha outro.
Enquanto eu sorria
teu sorriso cativava algum.
Enquanto eu estava
teu deboche de amor era fatal.
Bunito é o céu 
que dá a graça de existir.
Bunito é o mar 
que acolhe os filhos teus.
Feio tem não,
mas triste são tuas mentiras. 

                                                             Dedicado

D'um fim fatal.

 
hiro 

Tudo errado. 
Meu corpo cai numa prece
de lamentações e não se encaixa
em meio algum de vida. 
Meus olhos feito rio busca
o mar para uma tentativa de repouso.
Meus ossos doem, meus dentes doem,
minhas forças doem.
Desistir pode parecer fácil,
tão fácil quanto o vento.
Mas às vezes esse mesmo
vento pode ser brutal, fatal.

Quase amor.


Quase poético,
mas houve interrupção.
Quase feliz,
mas estragou-se antes do que.
Quase amor,
mas o pensamento era vão.
Quase.
Por pouco faltou
um tanto de pó mágico,
umas gotas de querer e
um desejo de estar.
Quase fui, 
quase veio,
mas só o quase.
O quase perfeito, 
mas perfeição é feito amor,
o nosso amor,
existe não.

Merecer.


Teu ouvir não merece
palavras de minha boca.
Teu olhar não merece
palavras de minha alma.
Tua pele não merece
palavras minhas tatuadas.
Foi cruel, desumano.
Teus passos estão distantes
e os meus procuram lugar.
Teus olhos em outros olhos
e os meus em cachoeira.
Novas palavras surgirão
e eu as seguirei. 

Amor picula.

"... nossos destinos foram traçados na maternidade." 


Eu sei, tudo estava planejado por alguém lá de cima ou até mesmo daqui de casa. 
Primeiro era aquele contato dos nossos olhos brincando, pegando picula na rua, jogando bola. Até que eu, eu, percebi que tinha mais ali em ti.
Um dia você chegou perto, como sempre fez, mas minhas pernas perderam o costume e tremeram. Minha boca secou e o coração fazia uma festa estranha dentro do peito. Eu olhei, você sorriu e tudo resolveu colorir. Teus olhos estavam em mim, minhas mãos em ti e o amor aqui. 
Perdemos a inocência da infância, ficamos gente grande e eu percebi um monte de coisas que você ainda não havia notado. 
O tempo passou, eu fui e você ficou, por pouco pendurado em mim. Mas não, não pode ser assim, eu precisava evoluir, mostrar meus pensamentos por aí. E fui. Não me arrependo de minhas decisões e reconheço que as consequência serão minhas, de acordo com o que eu quis. Agora eu sigo, tento tocar o céu. Meu carinho por ti ainda é grande e ainda te gosto, só que hoje é do jeito que foi um dia, aquele gostar de irmão-amigo.  

Dedicado.

Eu nós.


Viciei. 
Você tragou,
mordeu,
cuspiu,
partiu.
Amei.
Você gastou,
gostou,
voltou,
estragou,
amargou.
Desejei,
um desejo,
o de tocar,
chupar,
lamber e
gemer 
teu amor.
Morreu,
o sol deixou,
a estrela apontou
e da boca ecoou,
por fim o fim.

Por vergonha.


Então você percebe que esta morrendo aos poucos, mas prefere manter num segredo quieto em silêncio. 
A vergonha é maior, o sentimento pode te tornar um ser ridículo, ridículo igual a esse sentimento sem fundamento algum, 
só sangra.

Teu e meu.


Teus pés seguem outro caminho,
os meus paralisam cheio de amor.
Tuas mãos tocam outras,
as minhas perdem tempo.
Teus olhos estão perdidos em olhares,
os meus transforma-se em mar de tristeza. 
Teus dentes mordem,
os meus ferem.
Teus cachos encaixam-se em outros,
os meus conformam-se em ser assim, só.
Tua cintura dança ao vento,
a minha busca silêncio. 
Teu coração já tem destino,
o meu vaga perdido.
Esperança nunca houve,
mas tua sedução me mantém aqui
na espera de algum milagre.
Mas milagre só vem com reza
e eu não rezo, eu praguejo.