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Ultima mente.

Shaden

Os pés latejam no cansaço,
as mãos calejam na persistência,
os olhos lacrimejam sofrimento.
O coração padece e a prece 
é tão certa quanto o partir.
O caminho é estreito 
e a cantiga de ninar é o deboche do dia.
As pessoas distantes, 
o irmão na vida e eu cá.
O silêncio serra meu ar,
as incertezas regaçam meu coração
e o medo coloca-me por baixo de mim.
É o que chamam de vida,
é o que eu ataco todos os dias
pra não morrer de viver.

Seis meses em fim.

 
Crio poesias dentro de mim,
crio e recrio um fim.
Leio poemas destinados
e rasgo a pele na incerteza,
na fraqueza de esquecer.
Quão tola sou!
Inútil é a utilidade desse amor,
inútil é a certeza de que será,
inútil.
Noites secas, boca fria
e ego áspero, escancarado.
O destino gritou por mim
e a poesia fico muda,
calada feito noite de outono.
Destino puxou o pé
e asas cresceram.
Destino chamou,
"o mundo novo esta por vir!",
e amor ficou, desacelerou.
Poeta não compreendeu,
canção não deu razão
e o destino foi verdade,
foi o melhor que pode acontecer
pro nosso amor.
Amanhã asas
e hoje ensaiamos adeus.
Que há de ser se não me caibo em ti?

De dois, nem um.

 Rosen
 
Dos amores, o fim,
dos males, a dor.
Café ficou pouco, frio
e o açúcar deixou, abandonou.
Cigarro queimou,
matou, apagou.
Eu viciei, presenciei.
Eu desviciei, despresenciei.
Casa ocupou, domou
e depois limpou, esvaziou.
Boca sem riso,
olhos um rio.
Olhos sem beijos,
boca sem desejo.
Viciei e acreditou.
Também preciso ser vicio.

Imersa.

                                                                       Ao som de Gal.
 
Brooke Shaden
 
Num dia de silêncio,
paz brutal me atacou.
Caiu dos olhos as lágrimas,
as lágrimas negras.
Boca seca de tristeza,
mãos tremulas desiludidas.
Num dia de silêncio
o fantasma pegou o pé.
As lágrimas escorreram e
encontrou chão, frio, medo.
Num dia de silêncio
paz brutal não chegou.
Caiu dos olhos as lágrimas,
salgadas e intensas feito mar.
Mãos tremulas de medo,
boca seca de dor.
Paz brutal atacou.
Peito doeu, olhos chorou,
pernas deixaram.
Eu escondi.
Nem sol, nem céu.
Escuro cobriu o corpo e
lágrimas negras inundou alma.
 
São dias frios,
por mais que o sol derreta pele.

Mesmo lugar, outro olhar.

Coloquei meu amor de forma bunita em ti pra ser bom. 
 
 Josh
 
Nos reencontramos no mesmo lugar, a mesma energia.
Mas dessa vez não foi olhar de amor sobre mim, foi coisa boba que me deu, estremeceu.
Vi teus olhos vagando em outros seios, vi tuas mãos depositadas em outras pernas, não era eu.
Por um instante meus olhos desejaram ser rio, meu dentes desejaram morte de ti e meu pequeno elemento de amor parou de bater no peito. Você me deu fim!
Embriaguei meu ego, destruí meus cacos, traguei saudade e golei de uma vez por todas essa maldita ilusão que eu criei, eu criei.
Fui tão errante quanto você por acreditar que teu dengo era meu. Fui tão tola a ponto de crer que teu ar poderia ficar um bocado aqui, fui boba.
No mesmo lugar em que meu amor foi teu, teu desprezo pregou em mim um fim de tudo.
Desenhei por dias um encanto aqui, uma possível alegria de ser. Acreditei que seria, que era.
Mas deu certo não, moça! 
 
Se queres continuar nesse teu caminho inútil, vá.
Mas não leve meu amor contigo.  

Peço.

 
 mess
 
Ela estava nos braços,
no colo, no dengo e no amor.
Ela estava na sala fumando um cigarro,
olhando-me curta e dedicando sorriso.
Ela estava ao lado da cama
mordendo os lábios e pedindo-me beijo.
Ela estava agarrada aqui,
espalhando um cheiro de si.
Ela estava.
Hoje a menina tem seu rumo,
levou-se pra distante de mim.
E eu, homem fragilizado de amor,
peço por amor, por Deus que prenda-se a mim,
volte para o meu canto, menina. 

Partida.

Manuel
 
Sinto-me destruída
como uma menina que acabou
de quebrar as duas pernas.
Sinto-me destruída
como um passarinho sem asas.
Perdi o rumo que não tinha,
perdi a base que nunca me sustentou.
Perdida, só.
Sinto-me tão pequena nas mãos alheias,
nas mãos imundas daqui.
Sinto-me errante, coisa pouca.
Não encaixo em nada,
nada aceito nada.
Preciso partir, antes que eu parta.

Do resto de mim.

 
De forma brutal eu suporto,
tento em dedos escorregadios
segurar um amor que sangra desconforto,
que derrama desconfiança e espia.
Sangro cada gota desse amor prematuro,
desse feto que foi arrancado de lugar bom,
arrancado da hora certa, do tempo que deveria.
É coisa irreal, coisa de que coisa as coisas,
coisa que bagunçou meu canto,
coisa que tirou o ar e que sufoca.
Queria calmaria, coisa delicada,
cartas de amor, serenatas, jardim.
Queria cada coisa de vez,
mas eu por vez não desprendi
e prendi de uma vez.
O pensamento errou-se,
os olhos rios de fim
e o amor sangra.
De amor eu já morri,
mas agora eu morro pelo teu amor, menina.
 
                                                                         "Uma guerra instalou-se aqui."

Mais amor, por favor!

Jenn 

Eu choro pelas crianças
que morrem sem educação,
sem amor, 
sem respeito, 
sem dignidade.
Eu choro pelas mães
que perdem seus filhos pro trágico.
Eu choro pelos homens
que mendigam pão em suas máquinas.
Eu choro pela mulher
por invadirem seus corpos.
Eu choro pela natureza
que sangra na nascente.
Eu choro pelo mundo.
Eu choro e me calo
por medo de repressores. 
Eu tenho medo dessa gente,
gente com cara de gente
que devora a gente. 
O homem e sua ideia estúpida
de agressão. 

D'um fim fatal.

 
hiro 

Tudo errado. 
Meu corpo cai numa prece
de lamentações e não se encaixa
em meio algum de vida. 
Meus olhos feito rio busca
o mar para uma tentativa de repouso.
Meus ossos doem, meus dentes doem,
minhas forças doem.
Desistir pode parecer fácil,
tão fácil quanto o vento.
Mas às vezes esse mesmo
vento pode ser brutal, fatal.

Por vergonha.


Então você percebe que esta morrendo aos poucos, mas prefere manter num segredo quieto em silêncio. 
A vergonha é maior, o sentimento pode te tornar um ser ridículo, ridículo igual a esse sentimento sem fundamento algum, 
só sangra.

Dói.


E quando dói um tanto, nem palavras conseguem dizer.

Tortura.

 
Começa a noite,
meus pés não sentem os teus.
Pela manhã a boca amarga
e suplica um beijo.
A tarde já é tarde e
a noite não demora pra magoar.
É muito mais do que manter
meu corpo colado ao passado,
é muito mais do que esquivar
o desejo, a vontade vã.
Eu rezo e desacredito com fé,
choro e dou gargalhadas da minha desgraça.
Eu mereci escorregar da ponte
e mergulhar nessas águas. 
Foi por vontade de querer ser,
foi por pedir amor que eu esbarrei
nessa cachoeira de pedras.
Machuco meu ego com coisas tuas 
e a cada dia meu estômago desanda, 
ameaça parar.
A vontade de estar não existe mais
e o desejo de desaparecer me mantém
viva, na esperança de algo melhor. 

Futuro.


Eu sei, eu vou reerguer e as forças surgiram de um lugar desconhecido. 
Depois disso tudo aqui a estrada será calma novamente e o meu desejo pode não ser o mesmo.

Você, eu.

 Lina

Não tem mais nenhum poder
foi você quem deixou meu amor.
Não pode cobrar
eu não tenho o que cobrar de ti.
Não pode pedir calma
eu não sei ser.
Não tem mais amor em ti
tenho tanto que vago. 
Cruel e brutal
e a culpa ainda é minha.

Venha e conte, cante.


Sente-se aqui e conte, fale de você e dos seus pecados assumidos, explícitos.
Conte tudo de uma vez, diga o que fez, diga. Fale o que te deixou tão aflito, tão menino largado. 
Renda-se ao meu colo e caia aqui, tranquilo. Repouse confiança e conte, cante o que te aflige.
Tuas mãos estão distantes, não podem tocar as minhas. Deixe um suspiro de algo aqui que é pra eu tentar salvação para ti, salvar de ti a ti mesmo. Mostre-me tuas mãos e teu pecado, eu posso decora-lo de perdão.
Esteja aqui nesse café da tarde, traga a tua vida e tua presença. Quero-te hoje com verdade.

Volta sol.

 Olga

É um disfarce total, 
uma camuflagem banal. 
Meus cacos estão espalhados
num solo inseguro, medonho. 
Meus pés pisoteiam e
dedos sangram, igual olhos d'água.
O céu fica cinzento, depois reza
pelo sol que volta, ele volta!
Que não demore pra aquecer
meus motivos de vida,
que não demore na volta.

À moça do meu amor.


Moça do meu amor,
menina do meu encanto.
Caia sobre mim, caia em meu amor
e repouse tuas aflições que eu transformo
em coisa boa, cheia de luz.
Tua boca tem um riso que é teu,
que traz pra mim amor e certeza de vida.
Teus olhos guardam o brilho que ilumina
meu caminho e traz a paz, calmaria.
Tuas mãos trazem o carinho e teus dentes
os segredos mais prazerosos.
Não há vida, não há gota d'água sem você,
natureza é morta e eu sofro solidão.
Dona menina do meu amor,
venha com teus cachos e traga
minha paz de estar amor.
Venha e confie que 
no meu amor é teu lugar.

Amo-te!

                                                     Dedicado a moça do meu amor.


"... o que há dentro do meu coração
eu tenho guardado pra te dar." ♪