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Atualmente.

Beata Rydén
Eu que sonhei
e rabisquei 
vontades minhas,
hoje mergulho 
no vão improviso.
Eu que comi
e lambi 
as vontades alheias,
hoje provo 
do veneno
maligno.
Veneno é pouco
pra tanto mal.

Mesmo lugar, outro olhar.

Coloquei meu amor de forma bunita em ti pra ser bom. 
 
 Josh
 
Nos reencontramos no mesmo lugar, a mesma energia.
Mas dessa vez não foi olhar de amor sobre mim, foi coisa boba que me deu, estremeceu.
Vi teus olhos vagando em outros seios, vi tuas mãos depositadas em outras pernas, não era eu.
Por um instante meus olhos desejaram ser rio, meu dentes desejaram morte de ti e meu pequeno elemento de amor parou de bater no peito. Você me deu fim!
Embriaguei meu ego, destruí meus cacos, traguei saudade e golei de uma vez por todas essa maldita ilusão que eu criei, eu criei.
Fui tão errante quanto você por acreditar que teu dengo era meu. Fui tão tola a ponto de crer que teu ar poderia ficar um bocado aqui, fui boba.
No mesmo lugar em que meu amor foi teu, teu desprezo pregou em mim um fim de tudo.
Desenhei por dias um encanto aqui, uma possível alegria de ser. Acreditei que seria, que era.
Mas deu certo não, moça! 
 
Se queres continuar nesse teu caminho inútil, vá.
Mas não leve meu amor contigo.  

Enquanto eu era.


Enquanto eu queria
teu querer tinha outro.
Enquanto eu sorria
teu sorriso cativava algum.
Enquanto eu estava
teu deboche de amor era fatal.
Bunito é o céu 
que dá a graça de existir.
Bunito é o mar 
que acolhe os filhos teus.
Feio tem não,
mas triste são tuas mentiras. 

                                                             Dedicado

Merecer.


Teu ouvir não merece
palavras de minha boca.
Teu olhar não merece
palavras de minha alma.
Tua pele não merece
palavras minhas tatuadas.
Foi cruel, desumano.
Teus passos estão distantes
e os meus procuram lugar.
Teus olhos em outros olhos
e os meus em cachoeira.
Novas palavras surgirão
e eu as seguirei. 

A tua ação.


Não ensaiamos um adeus. 
A nossa vida de drama e arte acabou por tão pouco.
Minhas lágrimas de atuação só atiçou discórdia. 
Pra você traição não é arte, é realidade.

Casos acasos.


Gostos,
já provei diversos.
Jeitos,
já tive e perdi vários.
Bocas,
já beijei 621.
Dedos,
percorreram lugares de perigo.
Língua,
denunciou desejo.
Pés,
pisotearam desespero.
Mãos,
tocaram prazer.
Olhos,
mortos por falta de verdade.
Eu lhe digo vida.
Foi fácil deitar em tantas camas,
beber em tantas taças,
difícil é desprender-se dessa vida.

Sabedoria.


Sempre soube que um dia eu seria traída 
e fico muito feliz por isso.
Se não fosse assim eu é que teria morrido
no acidente de carro com meu marido no 
lugar da amante dele. 

                                                      (re)escrito.

Desastrosa.


Não quero gotas de saudades,
não quero tuas mãos em minha vida
e nem teu cheiro por volta de mim.
Não quero teus olhos em mim,
não quero  meu nome escrito em tua boca
e não quero teus dentes em pele minha. 
Foi a criatura que protegi e hoje feriu-me
vagarosamente de forma desamorosa.
Esqueça-me!
Não faz mais parte de mim, 
em mim não cabe mais resto teu. 
Faça o mesmo de mim em você.
Deixe-me partir sem precisar que eu 
leve as marcas de tudo que me causou.
Deixe-me!

Meu sombrio.


Please!
Toquem fogo na cabeça dela.
Aproxime seu corpo junto aos porcos
e cuspam, cuspam em todo seu corpo.
Destruam membros, matem sonhos e
pisoteiem a cabeça, as mãos, a língua.
Criatura infame!
Arranque dedos e lhe diga meu nome
para que ela nunca mais esqueça o que fez.
Que tenha medo, pavor, horror da minha
voz e mantenha-se distante, a margem do fim.
Arranque fio por fio de amor, embrulhe estômago,
mastigue o fígado, massacre a alma.
Deixe-a sem unhas, sem pés, sem dentes,
sem dengo, sem vida, sem ar.
E de pouco, aos poucos deixe que ela morra
só, pra não ter culpa alguma nossa. 
Ela deve morrer por ela, mas meus sacrifícios
de esquarteja-la ajuda a matar de uma vez,
a tira-la da minha frente, do meu jardim, da minha vida.
Morra de vez, dona moça! Mate-me de sua vida!
Esqueça meu céu e continue a embriagar o mesmo moço,
o de outrora, aquele de lá que torou-se dó para mim.
Morram! 


09:06h, lugar de magoa.
Deixe-me aqui, na paz.
Que sua língua e teu desamor morram junto a ti.
Arrependo-me por um dia deixar você fazer parte de meu jardim, de minha vida.

Ela é má, mas só agora eu descobri. Precisou ferir-me!

'da tarde.


Esperar e depois decepcionar-se com a espera. 
Vale mais quando é assim, tudo muda e evolui, a gente cresce da forma mais violenta. 
Já fui violentada no amor, dois em um... chama-se gole em dose dupla. 
Meu maior medo agora é estar acompanhada. Mantenho-me distante de tudo aquilo chamado amor,
protejo-me como posso e mando pra longe o que possa prender minha alma. 
Prefiro estar comigo!
Se eu fizer mal a alguém que seja a mim mesma, eu perdoarei. 

                                                                                                                   Calma, menina.

Divina errante.

Minha flores não são tuas... nunca!


Beleza tua, beleza suja.
Escorre mentira pelos dedos,
derrama-se em opostos do eu.
Cabelos delicados por falta de verdade,
unhas curtas e dentes felinos.
Teu veneno mata a ti aos poucos e de
pouco vejo tuas gotas indo-se ao chão,
indo em direção ao pecado imoral daquele
teu moço, o moço de outrora.
Prova teu veneno!
A culpa não é tua, as consequências
voltam-se em ti e deslumbra toda tua
paciência de viver... tenta viver.
Arrepende-se por tão muito que fez
e cria a certeza de que teu reinado acabou,
teu amor maior se foi, o teu próprio amor.
Perdeu espaço, confiança e segurança de ser.
Esquarteja-se e mostre-se humana, 
a tua verdadeira face oculta por tuas mentiras. 

Veneno! 
Desejo os teu verbos rimados 
obscuramente em ti. 
Morram!

D'aquilo.


Pra quem consegue arranhar céus alheios eu dedico meu gozo desprezo. 
Morram com aquilo que lhes foi dado e roubado de mim, restos mortais de amor. 

... tão somente dor.


Sinto-me envergonhada, enganada.
As flores que desejei foram todas 
em vão, aos ventos mentirosos.
Agora sou espinho e desculpa.
Não desejaria a nenhum inimigo 
força brutal como essa que me cerca,
que me deixa de olhos d'água e alma 
ferida, doente de desastres.
Deixo de ser criança e confio em
todas as almas, mas criança não
confia em almas, 'inda mais as doentias.
Sigo e me calo, sou obrigada a ocultar
a mentira que me cerca para não ver
meu passarinho preso ao desapego.
Sinto, sinto por mim, por ter me enganado
por tão pouco, tão pouco.
Deixo nas mãos do tempo e não espero
pra ver, quero estar distante de todas
as dores e do gosto de traição, da tristeza
que implantou-se em mim.
Quero cura desse mal, quero verdade!

Que meu pranto não seja mais teu,
que meu amor não ouse te amar e 
que o tempo me ensine a matar, 
matar tudo o que ainda resta de você aqui.

Da traição a descoberta.

Julián Rodriguez Orihuela

























Ela banhou-se, tomou gole de café e soube do ocorrido. Não lhe doeu coração e nem ossos.
- Não lhe peço perdão, não sinhor. Se tua mulher discubriu que tu tá comigo a culpa é mais tua do que minha. Mas veja você? Eu, trabalhando... procurei ninguém não. E dispois se tu veio aqui atrás de fogo, que viesse antes. Tua muler nunca que lhe deu prazer.
- Mas Carmosina, meu amor. Não é assim... como posso me explicar?
- Nem comece a explicar nada, tu deve de explicar pra tua muler e me dexe que hoje a noite vai ser longa e eu preciso de discançar. Ande homem, se pique daqui.
- Oh meu amor, trate seu amado assim não.
- Amado coisa ninhuma. Tu é da tua muler e se tu tá aqui querendo se explicar e cheio dos dedo é causa de que ta com medo do que o povo vai falar quando suber que tu sai de casa pra cair nos braços de muler feito eu. Olhe homi, lhe digo uma coisa... eu num tô aqui pra guentar disaforo de seu ninguém, se tua muler prejudicar meus trabalhos de prazer e a Dona Lurdes me botar pra fora do salão eu juro pelo meu Padre Cícero que eu faço picadinho, mas bem picadinho de tu e de tua muler. Agora se coise e se pique daqui, suma.

Desalinhado.

Ao som de Fernanda Takai.
                                                       " ... quem nunca amou não merece ser amado ..."
Maria Sardari

Vagabundo!
Aos cacos tem cuidado de querer bem,
de querer cuidar da menina que abandonou.
O descuidado total do corpo provoca as dores
desumanas e desnecessárias que o mundo traz.
E embala-se para não enlouquecer o resto que
ainda há, o que sobrou do dengo, do colo dela.
Desgraçado!
Vive de boca em boca, porta em porta
pedindo misericórdia, implorando pão e água,
fogo e gás, amor e amar.
Deita no próprio colo e diz estar por dentro de 
si na natureza perfeita e calma, mas é bruta e falsa.
Vadio!
Parou de bater, bateu forte, parou, acelerou, rasgou,
amou, batizou a dor e acalmou-se de vez.
Dessa vez é pra sempre, um sempre de ser ao menos
hoje, só por esse instante. Ser pescador de si e deixar
sereia a beira mar, sem gota de água, sem ar de amor.
Depois de minutos volto a ser bobo e amo novamente.

                                          Dedico e rabisco. Verdade a vocês!

José.

M. Vargas

























A Marcela pegou suas roupas e de forma brutal arrumou cada peça, ao menos tentou arrumar.
Chorava desesperada, me pediu um cigarro e acendeu.
- Eu nunca imaginei que seria assim, dessa... desse jeito.
- Nem eu. (talvez já)
- Nem você o que? Acha que com ela vai ser diferente? É assim que pensa?
Ela tragava o cigarro de um jeito que parecia ser sua unica salvação, como o ultimo copo d'água do planeta. Secou os olhos e espantou todas as lágrimas de decepção. Eu sei, a Marcela esperava o melhor de mim, mas eu não fui capaz.
Às vezes eu acho que o pai tá certo, eu não sei cuidar de mim, quanto mais de um relacionamento. Mas ela não queria saber disso, infelicidade e uma traição com a Paula já foi o suficiente. Ela partiu e eu continuei a vida. 

Francisca.

Henrique

Quando eu tinha dezenove anos eu decidi ir morar em São Paulo. Arrumei minhas malas, resolvi tudo o que tinha pra ser resolvido na minha cidade natal, até a conta na venda de Seu Venâncio eu paguei. Meu ônibus saia as sete da noite, mainha não teve tempo pra sentir saudade ou ficar aflita de preocupação, ela já tinha me abandonado quando eu era um bebê. Que mãe deixa seu filho com três meses de nascido? Mas foi culpa dela não, a seca tava de mais e Deus foi cruel feito o cão. Sem falar nos meus dois irmãos que era pra ter nascido. Até hoje eu sinto que depois de mim era pra vim mais dois, Vitória e Guilherme, do jeito que painho queria. Mas só foi eu.
Entrei no ônibus num senti falta de nada e tinha certeza que não ia me bater uma gota de saudade daquele lugar seco. Pra uns aquela cidade era igualzinho o inferno, só faltava o capeta. 
Quando eu vi a cidade grandona, que nem meus primo falava, tremi. Tremi foi de frio. Tava numa chuva danada e eu fiquei feliz, desci do ônibus e me piquei pra chuva. E mesmo ouvindo os trovão eu me acabei na chuva. Cada gota que caia do céu era de felicidade minha. Aí eu pensei, "que Deus bandido! Mata meu povo de sede e dá água a quem não precisa." Peguei minhas coisa e fui procurar um lugarzinho pra descansar, pra guarda minhas coisas. Num teve lugar pra me caber, não teve cama pra me deitar. Acabei indo pra igreja, porque painho me disse uma vez que era o único lugar mais seguro do mundo. 
Abri a mala e panhei minha toalha, sequei todo meu corpo e quando eu olhei tinha um homem me comendo com os olhos. Me senti despida diante dele, quando menos esperei já estava no quarto e na vida dele, nua. Matias era bonito, trabalhador, só não era honesto. Quando descobri que ele era casado me deu um ódio do cão. "Juro por Deus, Matias, que eu lhe mato se você não separar dela". Parece que tava com o cão nas costa, separou não. Um dia, tava bem calor, panhei a faca na cozinha e ameacei aquela miséria de morte, ele morreu de medo e se picou, sumiu Matias. 
Procurei essa mulher dele e achei. Eu tentei até conversar, resolver que nem gente, mas esse povo de cidade grande quer resolver tudo na justiça. Me retei e piquei a mão na mulher. A porra toda é que eu não sabia que a bichinha tava prenha, perdeu o filho e eu perdi minha vida. 

Imatura menina.

O modo em que seu quarto ficou responde todo seu valor, nada. 

Brooke Shaden

























Descalça da vida, com fome e sede de amor e sonhos
deparo meu chão longe de mim por minutos que me custaram
desacreditar em todos os laços e abraços familiares e maternos.
Busquei não chorar, mas foi inútil. Olhei tudo, contei meu detalhes
e tu levou coisas minhas, minhas, que um dia foram presentes teu. Miserável!
Mas que bom, aproveita e leva de mim essa tua vontade de fim, de destruir
tudo o que tocas, de machucar as pessoas que mais amam e cuidam de ti, pobre ser.
Aproveita que vai assim, sem maturidade nenhuma, e cresça. Dessa vez admita seus
erros e os use para aprender a não errar mais. Na próxima tenha mais coragem ao partir.
Ontem derramei-me em lágrimas e hoje sigo. Posso morrer de fome, mas é tu quem morre por falta de amor. 

Flores delicadamente mortas a ti.
Nem assim merece ser, covarde.