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De dois, nem um.

 Rosen
 
Dos amores, o fim,
dos males, a dor.
Café ficou pouco, frio
e o açúcar deixou, abandonou.
Cigarro queimou,
matou, apagou.
Eu viciei, presenciei.
Eu desviciei, despresenciei.
Casa ocupou, domou
e depois limpou, esvaziou.
Boca sem riso,
olhos um rio.
Olhos sem beijos,
boca sem desejo.
Viciei e acreditou.
Também preciso ser vicio.

Engano.

 
Tua saudade por mim,
teu amor derramado em colo meu.
Tuas promessas de final feliz,
teu dengo cobrindo meu corpo.
Tua vontade de ser,
teu medo de não ser.
Tua presença real,
teu gosto de gostar de mim.
Enganação.
Tuas palavras vieram,
dominaram meu cachos,
estremeceu pernas e ressecou boca.
Tuas atitudes vieram,
dominaram tuas mentiras,
estremeceu vontade de ser, ressecou amor.
É o fim do final feliz.

Foi, amor.

 
Mais uma vez fui rendida,
exposta a um amor brutal.
Depositei confiança em outros olhos,
criei em mim a perfeição de ser,
mas nunca foi.
Arranquei magoas passadas
e decidi tentar um amor,
mas não foi amor.
Tua ilusão de perfeição soprou
sobre mim, tua ilusão de amor
caiu em meu colo,
mas não foi amor.
Tua pele precisava de outra,
teus olhos precisavam de outros olhos
e assim a confusão nos pegou,
mas não foi amor.
Dores de cabeça por tanto batê-la
contra a realidade.
Dores nos pés por tanto caminhar
 na direção contrária.
Dores na alma por acreditar que
seria amor, mas não foi amor.. foi.
 
                                                        (...) esse amor hoje vai pra nunca mais voltar,
                                   como faz o velho pescador quando sabe que é a vez do mar.." ♫ 

Mesmo lugar, outro olhar.

Coloquei meu amor de forma bunita em ti pra ser bom. 
 
 Josh
 
Nos reencontramos no mesmo lugar, a mesma energia.
Mas dessa vez não foi olhar de amor sobre mim, foi coisa boba que me deu, estremeceu.
Vi teus olhos vagando em outros seios, vi tuas mãos depositadas em outras pernas, não era eu.
Por um instante meus olhos desejaram ser rio, meu dentes desejaram morte de ti e meu pequeno elemento de amor parou de bater no peito. Você me deu fim!
Embriaguei meu ego, destruí meus cacos, traguei saudade e golei de uma vez por todas essa maldita ilusão que eu criei, eu criei.
Fui tão errante quanto você por acreditar que teu dengo era meu. Fui tão tola a ponto de crer que teu ar poderia ficar um bocado aqui, fui boba.
No mesmo lugar em que meu amor foi teu, teu desprezo pregou em mim um fim de tudo.
Desenhei por dias um encanto aqui, uma possível alegria de ser. Acreditei que seria, que era.
Mas deu certo não, moça! 
 
Se queres continuar nesse teu caminho inútil, vá.
Mas não leve meu amor contigo.  

Pra longe.

 
Eu delicada em você,
tatuada dolorosa em pele tua.
Boca pede socorro,
dedos pedem arrego,
peitos chupados dá nó.
E o rio corre por entre pernas,
o mar instala-se nos olhos e
nosso mundo desmorona.
Vagarosa hora,
vagaroso penar.
Armengue total de um amor
fatalmente fatal, brutal.
Teus olhos denunciam que
meus olhos estão nos teus,
pura mentira, bobagem pouca,
os meus olhos inundam-se e
afogam-se por entre tantos erros,
tantas mentiras de bocas vãs.
Eu dedico o mesmo despreso
ao seu ego de ser, de estar.
Eu fui, fui pra longe de ti.

Merecer.


Teu ouvir não merece
palavras de minha boca.
Teu olhar não merece
palavras de minha alma.
Tua pele não merece
palavras minhas tatuadas.
Foi cruel, desumano.
Teus passos estão distantes
e os meus procuram lugar.
Teus olhos em outros olhos
e os meus em cachoeira.
Novas palavras surgirão
e eu as seguirei. 

Por vergonha.


Então você percebe que esta morrendo aos poucos, mas prefere manter num segredo quieto em silêncio. 
A vergonha é maior, o sentimento pode te tornar um ser ridículo, ridículo igual a esse sentimento sem fundamento algum, 
só sangra.

'do fim.


Esse meu suicídio é cometido
para alivio imediato de amor teu.
Esse meu suicídio é sinal claro
de que eu não posso ser o que queres.
Esse meu suicido...
Um dia a mais eu me vejo naquele 
velho balanço, balançando o juízo
e o resto de esperança que sem tem.
Se foi junto com a saudade um 
amor materno que eu acreditava ser real,
mas banal.
Descobri de forma bruta o quanto o amor,
o teu amor,
pode sufocar-me até a morte.
Esse meu suicídio é sinal de fim,
de que cansei de insistir no teu amor
aceitando meus modos de ser,
aceitando-me como vim.

                                                  é o fim.. 

Julgamentos.


Você me julga por ser ruim, por ser uma vagabunda sem direitos de salvação.
Você me julga como se fosse capaz de saber o que é estar aqui. Vem!
Não tenho culpa alguma de ser assim, eu quis e não pedi. Meus desejos são os da carne, mas o desejo do teu marido é mais, vai além e só você não vê, não sente. Porque perde seu tempo me julgando ao invés de cuidar do que é teu, de cuidar amor. 

Inundação.


Adormeço por não estar
e meu jardim florido acolhe
pranto e canto meu.
Os suspiros estão guardando-se
e as lágrimas transbordam além vida,
provocando a inundação dor.
É um mesmo penar,
é um mesmo querer,
é um outro amor.
As nuvens derrubam aqui o suficiente
e eu busco delas o que será fundamental
para o fim, para a partida rumo
a lugar nenhum de mim.
É inútil a tentativa,
é inútil querer perder todo meu amor
em teus olhos negros. Inútil. 

A tua ação.


Não ensaiamos um adeus. 
A nossa vida de drama e arte acabou por tão pouco.
Minhas lágrimas de atuação só atiçou discórdia. 
Pra você traição não é arte, é realidade.

Sabedoria.


Sempre soube que um dia eu seria traída 
e fico muito feliz por isso.
Se não fosse assim eu é que teria morrido
no acidente de carro com meu marido no 
lugar da amante dele. 

                                                      (re)escrito.

'devorar.


Devora-me,
hoje sou alimento de infames!

Deixe leve.


Leve o ar e deixe brisa,
deixe tudo que lhe dediquei.

Desastrosa.


Não quero gotas de saudades,
não quero tuas mãos em minha vida
e nem teu cheiro por volta de mim.
Não quero teus olhos em mim,
não quero  meu nome escrito em tua boca
e não quero teus dentes em pele minha. 
Foi a criatura que protegi e hoje feriu-me
vagarosamente de forma desamorosa.
Esqueça-me!
Não faz mais parte de mim, 
em mim não cabe mais resto teu. 
Faça o mesmo de mim em você.
Deixe-me partir sem precisar que eu 
leve as marcas de tudo que me causou.
Deixe-me!

Víbora da tua boca.


Não fui o teu esperado,
teu sonho perfeito em madrugada branda.
Fui o terror de teus cachos,
a discórdia de teu lar, a separação de seus afins. 
Não fui programada pra ser eterno,
nem perfeição caberia em mim, não creio.
Fui desumana e absurdamente víbora.
Hoje sou o veneno que escorre de tua boca
e que de boca em boca falece todo o ar.
Onde passar deixarei destruição, 
porque eu me tornei o monstro do teu,
do meu, do nosso armário.
Sinto.
A necessidade é tamanha, alguém precisa 
(deve) ser o cruel, o mau e restou a mim
função, só cabia a mim. 
Eu, criatura imperfeita e infiel.
Sangro e sofro pelo mal que causo,
só nos falta compreensão.
Tentar entender os motivos não me levará
a cruz mais uma vez.

                                                                  Perdão!