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Imersa.

                                                                       Ao som de Gal.
 
Brooke Shaden
 
Num dia de silêncio,
paz brutal me atacou.
Caiu dos olhos as lágrimas,
as lágrimas negras.
Boca seca de tristeza,
mãos tremulas desiludidas.
Num dia de silêncio
o fantasma pegou o pé.
As lágrimas escorreram e
encontrou chão, frio, medo.
Num dia de silêncio
paz brutal não chegou.
Caiu dos olhos as lágrimas,
salgadas e intensas feito mar.
Mãos tremulas de medo,
boca seca de dor.
Paz brutal atacou.
Peito doeu, olhos chorou,
pernas deixaram.
Eu escondi.
Nem sol, nem céu.
Escuro cobriu o corpo e
lágrimas negras inundou alma.
 
São dias frios,
por mais que o sol derreta pele.

Lamento.

 
Eu lamento cada dia
que perdi ao teu lado.
Lamento cada manhã,
cada dia de sol, cada flor,
por ter perdido meus segundos
com teu "bom dia, amor".
Eu lamento cada olhar,
cada sussurro noturno,
cada prazer alcançado sem motivo algum,
prazer cheio de enganação,
prazer de momentos sem razão.
Eu lamento suas horas de leitura
ao meu lado enquanto eu matava cigarros
ao invés de você.
Lamento o café que eu te preparei,
lamento o sal no arroz,
lamento a sobremesa amarga feito tua boa.
Eu lamento por nunca ter tido a coragem
de lamentar antes de ser lamentada.
Lamento.

Partida.

Manuel
 
Sinto-me destruída
como uma menina que acabou
de quebrar as duas pernas.
Sinto-me destruída
como um passarinho sem asas.
Perdi o rumo que não tinha,
perdi a base que nunca me sustentou.
Perdida, só.
Sinto-me tão pequena nas mãos alheias,
nas mãos imundas daqui.
Sinto-me errante, coisa pouca.
Não encaixo em nada,
nada aceito nada.
Preciso partir, antes que eu parta.

Mais amor, por favor!

Jenn 

Eu choro pelas crianças
que morrem sem educação,
sem amor, 
sem respeito, 
sem dignidade.
Eu choro pelas mães
que perdem seus filhos pro trágico.
Eu choro pelos homens
que mendigam pão em suas máquinas.
Eu choro pela mulher
por invadirem seus corpos.
Eu choro pela natureza
que sangra na nascente.
Eu choro pelo mundo.
Eu choro e me calo
por medo de repressores. 
Eu tenho medo dessa gente,
gente com cara de gente
que devora a gente. 
O homem e sua ideia estúpida
de agressão. 

'das dores.


Pelas dores que a vida me causou
eu mereço morrer sem dor. 

'do fim.


Esse meu suicídio é cometido
para alivio imediato de amor teu.
Esse meu suicídio é sinal claro
de que eu não posso ser o que queres.
Esse meu suicido...
Um dia a mais eu me vejo naquele 
velho balanço, balançando o juízo
e o resto de esperança que sem tem.
Se foi junto com a saudade um 
amor materno que eu acreditava ser real,
mas banal.
Descobri de forma bruta o quanto o amor,
o teu amor,
pode sufocar-me até a morte.
Esse meu suicídio é sinal de fim,
de que cansei de insistir no teu amor
aceitando meus modos de ser,
aceitando-me como vim.

                                                  é o fim.. 

Não, não sou.


Eu sinto muito por não ser sua perfeição,
por ter nascido com esse defeito de amor.
Perdoe-me!
Não posso mudar o que já era pra ser,
não posso esconder o que minha alma pede pra ser.
Sinto muito por não lhe encher de orgulho
tentando ser tua imagem e semelhança.
Perdoe-me por pecar no meu modo de existir.

Desastrosa.


Não quero gotas de saudades,
não quero tuas mãos em minha vida
e nem teu cheiro por volta de mim.
Não quero teus olhos em mim,
não quero  meu nome escrito em tua boca
e não quero teus dentes em pele minha. 
Foi a criatura que protegi e hoje feriu-me
vagarosamente de forma desamorosa.
Esqueça-me!
Não faz mais parte de mim, 
em mim não cabe mais resto teu. 
Faça o mesmo de mim em você.
Deixe-me partir sem precisar que eu 
leve as marcas de tudo que me causou.
Deixe-me!

Flor fim.


Teu rosto pálido secou minhas mãos
e teu coração bruto matou todo amor.
Era rosa perfumada e hoje torna-se 
motivo de dor maior, decepção de vida.
Queria eu compreender suas queixas de ar, 
queria eu entender o teu estar.
Vai-se aos poucos junto com o carinho
que depositei, um dia, em ti.
A decepção superou tudo o que
havia, sinto não estar mais.
Minha presença se fará fim e tu poderás
fingir amar, seguir sem colo meu.
Perdão por não ter paciência,
perdão por compreensão não 
existir ao lado teu.

Dona Ferina.


Se cala diante da boca imunda, 
da vida que aflige a alma,
da normalidade brutal socialmente 
implantada na tua mente, mente.
Eu prefiro morte!
Numa outra vida de sorte quero
corpo e alma em outro lugar,
outro céu azul, outro mar, 
uma outra raça digna de ser raça.
Humanos desumanizados.
Homens covardes, mulheres tolas.
Crianças infelizes, famintas.
Eu rogo, eu condeno a ti que cala-se
diante de tanta imundice humana, 
tanta covardia. 

"... e viva a sociedade ferina."


                                                                :: poucas palavras diante do que há.
                                                                            tanta gente e tão pouco amor.

Perverso.


Coitado coisa nenhuma.
Sou homem, sou feito bicho: osso, carne e alma pecado.
Arrisco passos e pratico o que melhor me convém, o que
possivelmente venha trazer prazer, o bom trago de pecado.
Cuspo em todos os santos e faço de migalhas multidões.
Estupro as menininhas e mastigo as mães, devoro!
Odeio pai, arranco cabeças de irmãos e luto contra ditadores
filhos da pátria imunda, reinada pela cabeça animal e brutal.
Sou simplesmente o resto de sua educação, o cabide vazio
de sua vida, os olhos de seu marido traidor.
Sou cúmplice dos assassinatos, sou deus do meu e rezo só
pra ter o que fazer, o que comer.
Devorar é meu dom, devorar mente. A tua mente! 

Somente teu.


Os erros cometidos foram deixados,
largados a margem do fim.
Apoiou-se no que pode e fez de experiência
solução e compreensão de ser santo.
Pobre menino de barro!
Chorará a margem do mesmo rio que saciou
sua sede, tentará ser direcionado a sorte e
saberá que tudo passou-se por vez.
A menina veneno de outrora não irá cuidar
mais de ti e agora apoiará suas pernas lá.
Norte e sul de ti, é inútil ser verdadeiro,
de ti só sairá odores de desespero, perda.
Sinto!

Meu sombrio.


Please!
Toquem fogo na cabeça dela.
Aproxime seu corpo junto aos porcos
e cuspam, cuspam em todo seu corpo.
Destruam membros, matem sonhos e
pisoteiem a cabeça, as mãos, a língua.
Criatura infame!
Arranque dedos e lhe diga meu nome
para que ela nunca mais esqueça o que fez.
Que tenha medo, pavor, horror da minha
voz e mantenha-se distante, a margem do fim.
Arranque fio por fio de amor, embrulhe estômago,
mastigue o fígado, massacre a alma.
Deixe-a sem unhas, sem pés, sem dentes,
sem dengo, sem vida, sem ar.
E de pouco, aos poucos deixe que ela morra
só, pra não ter culpa alguma nossa. 
Ela deve morrer por ela, mas meus sacrifícios
de esquarteja-la ajuda a matar de uma vez,
a tira-la da minha frente, do meu jardim, da minha vida.
Morra de vez, dona moça! Mate-me de sua vida!
Esqueça meu céu e continue a embriagar o mesmo moço,
o de outrora, aquele de lá que torou-se dó para mim.
Morram! 


09:06h, lugar de magoa.
Deixe-me aqui, na paz.
Que sua língua e teu desamor morram junto a ti.
Arrependo-me por um dia deixar você fazer parte de meu jardim, de minha vida.

Ela é má, mas só agora eu descobri. Precisou ferir-me!

D'aquilo.


Pra quem consegue arranhar céus alheios eu dedico meu gozo desprezo. 
Morram com aquilo que lhes foi dado e roubado de mim, restos mortais de amor. 

A caixinha.

Brooke Shaden
























Beatriz prometeu. Jurou que guardaria todas as cartas em um lugar no qual sua mãe nunca tivesse acesso algum, um lugar que seu pai jamais passaria por perto e ela fez assim. 
Guardou as cartas em uma caixinha, presente de sua vó quando tinha cinco anos de idade. Nas primeiras semanas escondeu a caixinha em baixo da cama, mas notou que sua mãe tinha o costume estranho de olhar todo seu quarto. Decidiu esconder na varanda da casa e o esconderijo só durou um dia, temeu por visitas. Escondeu a tal caixinha na cozinha, nos aposentos de visitas, na biblioteca, em baixo de mesas, das cadeiras de canto e até mesmo dentro de um jarro que seus pais ganharam de presente de casamento. 
Escondeu, escondeu, escondeu... decidiu dar fim na caixinha. 
Pegou uma pá e partiu rumo ao jardim da casa. Cavou, cavou, cavou e enterrou lá. Voltou pra casa satisfeita por saber que ali ninguém encontraria, ninguém saberia seu segredo. Passaram-se dias, semanas, meses, anos, décadas... e lá a caixinha ficou.
Num dia desses de pouco sol e vento bom que leva cheiro das flores pra onde for, Dona Beatriz decidiu cuidar do jardim com seu neto Pedro. Contente o menino estava, contente a família não ficou quando descobriu por curiosidade de Pedro a caixinha. Leu-se as cartas, todos da família choraram, emocionaram-se com tantas palavras e por fim o decreto final do filho mais velho, o Antônio: - Decepção, mamãe. Não lhe dou surra por ser pecado tocar de mal gosto na própria mãe, não quero ir para o inferno. Depois de todas essas cartas posso encontra-la por lá. 
A Beatriz quis explicar-se, mas a Dona Beatriz não suportou palavras do filho e foi ler suas cartas ao diabo.

                                                           Dedicado as minhas flores cheias de suas cartas. 

Falta luz.

Em seus cálculos. Boca exangue, rosto pálido e as reclamações. Falta tempo, disposição e dinheiro para colocar sua filha em uma escola digna. Dignidade já lhe caiu da boca e o que restou foi algumas migalhas em seu colo. 
A mulher resmunga, pede divorcio e aceita a chantagem de continuar no cotidiano maldito: pão, feijão, pão. A água não foi paga, na padaria o saldo é negativo e a luz já se foi, nem vela ilumina mais a vida do casal.
A filha decide morrer, mas a morte cobra caro. Leva a avó, leva o primeiro, mas não leva a maldita fome. 

Francisca.

Henrique

Quando eu tinha dezenove anos eu decidi ir morar em São Paulo. Arrumei minhas malas, resolvi tudo o que tinha pra ser resolvido na minha cidade natal, até a conta na venda de Seu Venâncio eu paguei. Meu ônibus saia as sete da noite, mainha não teve tempo pra sentir saudade ou ficar aflita de preocupação, ela já tinha me abandonado quando eu era um bebê. Que mãe deixa seu filho com três meses de nascido? Mas foi culpa dela não, a seca tava de mais e Deus foi cruel feito o cão. Sem falar nos meus dois irmãos que era pra ter nascido. Até hoje eu sinto que depois de mim era pra vim mais dois, Vitória e Guilherme, do jeito que painho queria. Mas só foi eu.
Entrei no ônibus num senti falta de nada e tinha certeza que não ia me bater uma gota de saudade daquele lugar seco. Pra uns aquela cidade era igualzinho o inferno, só faltava o capeta. 
Quando eu vi a cidade grandona, que nem meus primo falava, tremi. Tremi foi de frio. Tava numa chuva danada e eu fiquei feliz, desci do ônibus e me piquei pra chuva. E mesmo ouvindo os trovão eu me acabei na chuva. Cada gota que caia do céu era de felicidade minha. Aí eu pensei, "que Deus bandido! Mata meu povo de sede e dá água a quem não precisa." Peguei minhas coisa e fui procurar um lugarzinho pra descansar, pra guarda minhas coisas. Num teve lugar pra me caber, não teve cama pra me deitar. Acabei indo pra igreja, porque painho me disse uma vez que era o único lugar mais seguro do mundo. 
Abri a mala e panhei minha toalha, sequei todo meu corpo e quando eu olhei tinha um homem me comendo com os olhos. Me senti despida diante dele, quando menos esperei já estava no quarto e na vida dele, nua. Matias era bonito, trabalhador, só não era honesto. Quando descobri que ele era casado me deu um ódio do cão. "Juro por Deus, Matias, que eu lhe mato se você não separar dela". Parece que tava com o cão nas costa, separou não. Um dia, tava bem calor, panhei a faca na cozinha e ameacei aquela miséria de morte, ele morreu de medo e se picou, sumiu Matias. 
Procurei essa mulher dele e achei. Eu tentei até conversar, resolver que nem gente, mas esse povo de cidade grande quer resolver tudo na justiça. Me retei e piquei a mão na mulher. A porra toda é que eu não sabia que a bichinha tava prenha, perdeu o filho e eu perdi minha vida. 

Verônica.

E foi a última vez em que vi Rodrigo, jogado ao chão, olhos fechados e boca sangrando.


Brooke Shaden


























No primeiro dia em que o vi era tudo muito bonito e simples, educado e seguro de si. Ele sempre aparentou ser um bom moço, não tardou para eu me apaixonar e o namorar, maldita hora, ou talvez não seja tão maldita, me valeu alguma coisa, aprendi a não confiar mais, ao menos em estranhos. 
Juntei meu espaço ao dele e num momento éramos dois em um, assim eu pensava que era e era. Nosso casamento foi lindo, minhas flores favoritas presentes, margaridas, sempre gostei e ele dizia que o cheiro que vinham delas era meu, elas roubavam de mim. O achava cada dia mais encantador e apaixonante. Nos aceitamos de sim à amor. Nossa noite de amor, sexo, foi claramente prazerosa e esquecível, hoje desejo esquecer, arrancar parte da memória e esquecer daquela noite, a última vez que o vi. Amor havia, mas ele quis provar amor por outra deusa e não era eu sua deusa do momento, mas seu bicho sacrificado. E eu lá sabia que Rodrigo era envolvido nessas coisas? Beijou-me, segurou meu pescoço, tentou me sufocar e eu gritando na parede da carne, fugindo das garras dele de segundo em segundo. Adiantou. Corri em direção a cozinha e peguei a primeira coisa que eu vi, o que provável poderia me defender. Fiz um corte leve em seu braço, mordi seu pescoço e num instante de defesa enfiei a faca em sua barriga, e eu quis? Ele me obrigou, mas tornou-se uma dança e eu fiquei encantada, loucamente com aquela faca na mão que mais parecia um pincel, fiz dele uma obra de arte. O homem que seria o pai de meus filhos agora caía aos meus pés e mentiu. Meus gritos conseguiram chamar alguém, porta abre-se, polícia. Presa por ser seu bicho quase sacrificado, presa por achar lindo os cortes no corpo de Rodrigo. Até hoje eu me pergunto quem era o mais apaixonado, ele com a ideia de sufoco ou eu com o dom da arte de matar?

Imatura menina.

O modo em que seu quarto ficou responde todo seu valor, nada. 

Brooke Shaden

























Descalça da vida, com fome e sede de amor e sonhos
deparo meu chão longe de mim por minutos que me custaram
desacreditar em todos os laços e abraços familiares e maternos.
Busquei não chorar, mas foi inútil. Olhei tudo, contei meu detalhes
e tu levou coisas minhas, minhas, que um dia foram presentes teu. Miserável!
Mas que bom, aproveita e leva de mim essa tua vontade de fim, de destruir
tudo o que tocas, de machucar as pessoas que mais amam e cuidam de ti, pobre ser.
Aproveita que vai assim, sem maturidade nenhuma, e cresça. Dessa vez admita seus
erros e os use para aprender a não errar mais. Na próxima tenha mais coragem ao partir.
Ontem derramei-me em lágrimas e hoje sigo. Posso morrer de fome, mas é tu quem morre por falta de amor. 

Flores delicadamente mortas a ti.
Nem assim merece ser, covarde.

Ao eterno.

Pergunta, pergunta se é fácil. 

Nishe

















O teu egoísmo é tão seu que faz questão de ignorar alma
e coração meu, composto de amores por você.
Esta certo, esta em mim e a única solução que encontro
é tentar morrer, porque de mim não sairá esse maldito
querer. E tu já estas bem, bem feliz com outros ares em
tua volta e isso me faz penar, sofrer. E finjo, mas não 
resisto a dor, inevitavelmente ela vem. E a inveja de não
ser eu teu anjo protetor, de não ser eu quem poderia cuidar
de tuas coisas, de você. Eu sei, eu sei que preciso viver e vou.
Vou porque já não nos cabe o que um dia nos foi dado,
retirou de mim todo amor de ti. Só desejo que lembre-se do pouco
que fui pra ti, das vezes que fiz teu coração pular de alegria e
tua alma crescer pro amor. Lembre-se ao menos do "dois" que nos foi cantado.   

Porque se queres estar em boas condições o coração, 
seguir pode ser sim uma útil e agradável solução.