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Recorda mainha.

web

Eu era menina, mas de vez eu recordo do pirão de mainha, acontecia nos domingos, junto com o futebol dos menino da rua e o samba na porta da casa de Dona Alzira. Eu me entregava pro pirão, arriscava na bola chutando as canela alheia e depois marcava num compasso desconhecido o samba, e ai de quem falasse mal do meu ritmo.
O fim do dia chegava, banho me tomava e mainha preparava a noite pra gente. Eu brincava de cantar com as meninas e depois corria com os meninos. Nos gritos o banho e mainha me pegava outra vez, e na calmaria dos olho dela eu repousava meu dia. 

Recordações bunitas que a vida me deu.

Dias.

Gordon
Os dias que são calmos
os considero como divino milagre.
Os dias que são rasos
eu mergulho no mais profundo do ser.
Aos dias vagos
eu preencho
redescubro 
e decoro.
Os dias são tão sãos
quanto meus. 

(in)Consolada.

 tea

Isolada de qualquer motivo,
de qualquer impasse de amor.
Desafiada pelo imoral,
pelo comportamento barato. 
Escondida por entre folhas
e abastecida de basta. Chega!
Engasgada por gosto ruim,
agredida pelo teu. 
Isolada, desolada, inconsolada.
Brutal presença a minha,
de querer e querer bem. 

Dá dó.


Dá um aperto que aperta de um jeito
feito nó sem solução.
Dá uma dor que dói de um jeito
feito cão destruidor.
Dá uma saudade que aperta aqui
e faz doer o coração. 
Dá dó sem re, mi, fá, só, lá
que perdura dia e noite até
quando se acabar.

Crianças...


A outra rua é um bairro,
o outro bairro é uma cidade,
a outra cidade é um novo planeta.
As crianças sentem assim.

                                                                                  (re)escrito.

Dona canto.


A força que cabe em ti é suficiente
pra plantar teus pés em guerra.
Teus olhos buscam rios e tua alma
quer saber muito mais que poesia.
Os ventos que passam por ti abalam
teus cachos e lhe faz sobreviver.
Nasceu pra ser teu, pra fazer diferença,
pra calar multidão e falar morte.
Divina criatura do cantar.

'da tarde.


Cada passo dado é um sentimento deixado.
Cada gosto é um pouco de riso perdido.
Despertar, antes que o perigo lhe pegue pelo braço. 

Memória vaga.


O tempo passou e a caixa (a tua caixa) continua intacta, do mesmo modo em que deixou.
Já fiz promessa de guardar a caixa em um museu, já disse que encomendaria uma missa em tua memória.
Mas hoje eu decidi ser amarga e esquecer de vez, não exatamente de vez, aos poucos. 
É que se for brutalmente assim acabo ficando igualzinha a você, na memória de alguém.

Deixa.


Se te prendo é só pra sufocar amor.
Se eu te deixo é só pra trilhar só, cantar a tua canção.
Deixa eu ouvir teu samba, deixa eu cair na teia do teu viver.

Ruína.


Ela apoio-se, mirou seu destino por baixo de seus pés.
O vento era bravo e o frio perverso. Ela tremia por medo, por frio e falta de coragem.
Pensou por três vezes e decidiu abandonar a vida, atirou-se ao abismo de esperanças 
na espera de que lá embaixo encontra-se o necessário, o suficiente para respirar com calma.

                                                      Esperança leva... carrega alma.

'do fim das flores.

"... buquês são flores mortas num lindo arranjo, 
arranjo lindo feito pra você..."


Sente-se em meu estômago e sinta 
por cima o vazio em mim, o mesmo
que não pode mais ser preenchido por
você, por mais ninguém.
A fome que instala-se em mim é pior
que sede de cegos, pior que desejo de criança.
Ninguém ousa tocar meu violão, deixe lá, 
no dó em que eu deixei, pra curar, pra levar.
Tome tuas flores, deixe as minhas e leve...
leve os erros teus, os meus.
leve nossos laços, meus laços.
leve de forma bruta pra não restar nem raiz.
O dia será claro, calmo, puro.
A leveza voltará em ombros meus,
o riso encostará em boca minha e a verdade
estará presente constantemente em meu olhar... verdade!
E tu cairá, feito serpente morta por pisadas minhas,
por pisadas condenadas a ti, aos teus desejos.
Leve e deixe-me, preciso estar para saber do meu
fim, o que virá depois da curva. Quem sabe?!

Sua chegada... meu fim.

Trágico.
Ódio.
Remorso.
Magoas.
Morte.
Dor.
Fim.

                                                                                                            farmer'

A queda será desafio,
os muros serão grandiosos.
A boca repete e pede tempo,
contra pulso o pulso do ato.
Compreendo.
Água doce em mar,
o tinto sem manchas.
Absurdos de vida,
linhas desafinadas, opostas 
e caras, raras... r a r a s.
Disponho o modo,
regulo o ego e fere.
Momento exato de ser vão,
momento propicio de ser só pó.
Pó de gota, pó em dó. Só dó.
Gravidade lhe atinge 
e seu ser encontra-se na beira,
a margem do fim.
Esqueça!

                             Absurdo de abuso.                            

Ausente.


Um dia desses eu juro lhe dar atenção, mas é que hoje minha paciência
esgotou-se por tão pouco do oposto, dos modos antigos e passageiros.
Numa outra vida eu juro que vou ser melhor, serei eu a mocinha dos teus
sonhos, a menina do teu encanto, mas por enquanto deixe-me ser a coisa
mais absurda para você e mais divinamente eu para mim. 
Cansei! Parto e reparto, meu ato é meu e teu querer me mata por falta de 
ser o que queres. Teu querer é bem, é teu. Diferente do que me aguarda no céu.
Aquele mesmo céu de onde eu vim e caí em teus pés por acidente, erro de meu pai.
Poupe-me dos detalhes e deixa-me hoje. Paciência falta por hora. 

Prefiro samba.

Eu sambo e não caio no amor.
Meu nego me prometeu dengo eterno e lascou-se pro norte,
 foi buscar uma dona pra ter seus filhos e laços. Eu prefiro morrer!
Quando soube do que me aguardava lhe pedi paciência,
não tive culpa alguma e não sinto remorsos, eu expliquei que não queria filhos,
eles me tirariam do samba. Nunca fui mulher de cair por outros,
é o samba quem me derruba e depois me beija.
Criei anuncio e aviso, quero o outro nego!
Daqueles de paixão, amor não, ele sempre quer derrubar meu samba.

Devorar ego.


Do oposto do ego, dos dentes e da vida. Eu, tão somente e sublime eu amo-me loucamente, de tal forma que sufoco-me brutal e delicadamente de modo soberbo, exagero de ego.
As plantas das pernas são raízes que enriquecem-me, detonam-me e deixa-me de vez equilibrada sobre plataforma segura e arriscada. A boca treme e vibra-me, os ouvidos cegam-me e olhos deixam-me boquiaberto, boquiaberto, boquiaberto.... boca aberta.
Todos os outros egos são tolos, o meu é ego bom de dar, vender, comprar, gastar inveja. Prova-me e verás! Verás fúria e desastres ambientalmente psicológicos em mim, tão somente ego meu que despida-me suavemente  ego. Terás piedade de ti, dos erros teus e cabelos secos, vergonhosos de distante. E basta! Basta porque de bastar tarda-me e consola o teu ego, teu coração e traga teus pulmões, de resto viverás ,assim como meu ego não vive dos teus.
Sobro por entre os tais e sou digna de ter, de amar-me. Os olhos cairão sobre os meus e as mãos decidiram arriscar-se por entre meu ego, desejará a mim, e eu tão somente ego entocado esperando bote (ataque mortal), aproveitarei teu desperdício de raciocínio e calmaria. 
Devorar-te-ei!

Porções.

Marsida Lekaj
























Tudo desconcertante e desconfortável. 
Talvez eu encontre paz, talvez encontre um novo ar.
Aos poucos, de pouco, me sobro de amor e tenho a possibilidade de curar-me. 
Feridas expostas são sempre perigosas, pode ser contaminada pelo ódio ou cicatrizadas por amor, 
duas porções fatais que causam morte, dor e arrepio.
E depois amanhã, e antes ontem e agora nada. 
Com os séculos o mundo cresce e a gente, a gente bobagem sempre.
Discute por coisas, come bobagens, engole a seco o mesmo chefe chato, quadrado e antipático.
E eu pergunto: será obvio de mais viver? Sempre os mesmos. 
Nem adianta tentar ser/fazer diferente, vai existir sempre alguém querendo destruir seus desejos. 
Tipo eu, do nada dá calor, depois frio e acabo acabando-me aos poucos. 
Eu mesma matando desejo em mim. 
Cuidado com porções!

Ser e tentar.

Jon Duenas
























Deixa eu beber do café que há em teus braços,
deixa eu cativar meu riso nas coisas que te acompanha.
Morda-me de amor e arraste de mim as impurezas perdidas
de uma outra vida, daquele velho adeus.
Mostre-me a razão de não ter razão alguma e depois seguir
os passos teus, sentindo o cheiro de teus cachos e amor teu.
Leve-me a ti, leve alma e deixe coração que é teu, puro e sem
feridas expostas ou cortes profundos, picado de amor.
Tome-me em teus braços, tenha meus lábios e mãos sobre 
todo dengo de ser, todo dengo de estar por aqui.
Fique e me obrigue a partir, parta e me obrigue a pensar
em ti e morrer de saudades.
Mas nunca deixe os meus desejos num copo d'água esperando
teu gole, tua cede de mim.                                                                     

Gosto de gostar.

Cazador

























Gosto do gosto da morena que passa, 
gosto porque gostar é de graça.
Gosto quando o gosto acaba e depois
do gosto não me resta mais nada.
Do pouco que gosto de gostar 
cabe de graça o que gosto de guardar.
Se a morena me ganhar o coração,
juro que vivo de paixão.
E se o gosto de gostar da morena acabar,
juro por deus que não morro de amar.
Me basta tanto gosto de gostar se o gosto me acabou.
subo no muro, grito a morena e mato de uma vez esse amor.

Parta-me.

Carmen


















Resolvi ficar entre palavras e por palavras.
Tenho caído em livros, leituras sujas e súbitas,
aos devaneios dos pés de deuses e deslizando 
mãos em novas estórias, mãe e filha talvez.
Enquanto repousa a margarida em meus cachos
para que permaneça juízo e perfume repletos de si.
E depois, o depois não importa mais.
Tenho ânsia de estar bem e quero partir.
Partir o medo em atos e pedaços, levar embora
os arranhões noturnos e cair de boca no mundo... deslizar.
Vou procurando e encontrando forças, ideias e certezas
que me deixam de queixo caído e pernas bambas de pensar
no futuro que será amanhã e o ontem já não basta.
Preciso partir junto com as palavras e levar de mim o bom do (a)mar.

Mat'alma.

Sarah


























Seus olhos encontram-se em direção ao rio, o mesmo de seus sonhos.
E a canção insiste em lhe dizer que o caminho é longo, quase se ouve o longo.
Seus cabelos vivos de si e seus dentes desejando um pedaço de carne dos
animais que cercam seu movimento de luz, que lhe dizem o que ser.
Observa a cachoeira que despenca longe dali, sente o cheiro do peixe que lhe
pede ajuda e pouco d'água. Agoniza a hora de vida e bebe seu sangue a beira.
Nunca esperou-se, nunca soube como. Dona do talvez, madame do não.
Agora seus pés, encharcados de areia preta e minhocas que brincam em volta
dos dedos e sobe nas partes de seu corpo, ela torce.
Mergulha nas águas daquele rio, o mesmo que lhe falei e banha-se.
Primeiro teu corpo, olhos e alma. Assim ela vive em meio a sua mat'alma.