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Vida transbordante.

lars 
 
Pés que têm vontade
e voam voam.
Mãos que têm desejos
e superam superam.
Olhos que têm emoções
e rio rio.
Coração que tem canção
e canta canta.
A vida ganhou caminho,
o caminho ganhou vida.
Hoje eu piso voando,
eu toco desejando,
vejo de emoção e o coração
esse não bate nem apanha,
ele só canta.

Imersa.

                                                                       Ao som de Gal.
 
Brooke Shaden
 
Num dia de silêncio,
paz brutal me atacou.
Caiu dos olhos as lágrimas,
as lágrimas negras.
Boca seca de tristeza,
mãos tremulas desiludidas.
Num dia de silêncio
o fantasma pegou o pé.
As lágrimas escorreram e
encontrou chão, frio, medo.
Num dia de silêncio
paz brutal não chegou.
Caiu dos olhos as lágrimas,
salgadas e intensas feito mar.
Mãos tremulas de medo,
boca seca de dor.
Paz brutal atacou.
Peito doeu, olhos chorou,
pernas deixaram.
Eu escondi.
Nem sol, nem céu.
Escuro cobriu o corpo e
lágrimas negras inundou alma.
 
São dias frios,
por mais que o sol derreta pele.

Da vida.


Estar requer equilíbrio
e nesse momento requer cuidados.
Estar requer presença real
e nesse exato momento eu estou.
Me basta estar e acreditar 
em meu passos cansados, descalços.
A realidade que há em mim é um
singelo pedido de que sim. 
 Sim, eu estou.

Absurdo amor.

 Gina

No universo particular
que é meu você desenha
e canta cores encantadas.
E desperta calafrios de amor.
Tua companhia provoca
tantas sensações inexistentes.
Teu riso cativa o meu,
meus olhos entregam-se aos teus,
tuas mãos tocam as minhas 
e não nos resta restos, 
é tudo tão completo no nosso modo de ser.
Triste mesmo é não poder
desenhar em ti todo meu amor.
E vivemos nessa guerra
de ser amor.. e o destino quer.
O que não quer nosso amor
é o padrão absurdo. 

Quase amor.


Quase poético,
mas houve interrupção.
Quase feliz,
mas estragou-se antes do que.
Quase amor,
mas o pensamento era vão.
Quase.
Por pouco faltou
um tanto de pó mágico,
umas gotas de querer e
um desejo de estar.
Quase fui, 
quase veio,
mas só o quase.
O quase perfeito, 
mas perfeição é feito amor,
o nosso amor,
existe não.

Há.


Os primeiros instantes são dolorosos,
clássico de vida alheia.
Os segundos são castigos 
dos pecados de horas atrás. 
Descolori meu universo
e preenchi de tons cinzas meu olhos, 
amargos. 
Aqueço meu corpo contra decisões, 
aprecio minha vida de forma final.
Tudo o que diz vem suave
o suficiente que nem atinge. 
Horas vãs, dias gastos. 
Tudo não passou de diversão, 
de sorrisos de crianças e
esperança imatura de ser.
Estranho é querer por horas e desistir, 
assim eu sei que é.
Estranho é continuar instável,
num silêncio e gritos de perdão.
Perdoe-me!

Tortura.

 
Começa a noite,
meus pés não sentem os teus.
Pela manhã a boca amarga
e suplica um beijo.
A tarde já é tarde e
a noite não demora pra magoar.
É muito mais do que manter
meu corpo colado ao passado,
é muito mais do que esquivar
o desejo, a vontade vã.
Eu rezo e desacredito com fé,
choro e dou gargalhadas da minha desgraça.
Eu mereci escorregar da ponte
e mergulhar nessas águas. 
Foi por vontade de querer ser,
foi por pedir amor que eu esbarrei
nessa cachoeira de pedras.
Machuco meu ego com coisas tuas 
e a cada dia meu estômago desanda, 
ameaça parar.
A vontade de estar não existe mais
e o desejo de desaparecer me mantém
viva, na esperança de algo melhor. 

Velho seguir.


Aquele velho e inútil segredo de seguir, seguir e esquecer o passado.
É o desejo inconsequente de tentar só mais uma vez, de derramar só um pouco mais, em vão. 
Espalhar-se por tão pouco ou por tudo que quis, que acreditou ser o ideal, o fatal.
Meus pés teimosos retornam, minha boca grita nome, meus olhos imploram os teus, meus dedos apontam ontem, meu coração diz a cada segundo o que deve ser e meu tudo grita em desespero, volte
O velho birrento de sabedoria dentro de mim diz calma, eu não prometo, mas tento. 
Que será depois dalí, que será? Eu vou, mas não volto pra te contar.

Presente teu.


Ponha tuas mãos sobre meu pecado,
mastigue minhas orelhas e cuspa segredos.
Deslize teu céu da boca em caráter meu 
e toque boca com palavrões.
Sinta o gole quente e retire daqui os erros
que preencheram, que ocuparam teu espaço.
Volte a minha caixa secreta e deposite teus
medos, minta para mim antes que eu morra.
Toque em fios de cabelos como cordões de
violas sagradas, toque pelos e provoque.
Dedique mordidas em pescoço,  
cumpra promessas aos passos.
Dê espaço e liberdade ao ser que há e
deixe que sinta teus olhos distantes
para morrer de saudades. 
Seja o presente e devore todo o passado,
para que o futuro seja surpresa eterna.
Presença tua no cangote meu. 

'do nosso recomeço.


Abandonei teu braços 
e fiz dos conflitos aprendizado.
Fez sair de mim todo o amor
em gotas de decepção. 
Eu acreditava no amor... acreditava.
Fomos o passo certo, a certeza
daquela velha estória de amizade.
Fomos o calor do sol em dias frio,
a crença dos cegos... fomos amor.
Agora nos resta saudades de 
um tempo bom, em que dois bastava. 
Agora tristeza de fim, mas creia que tudo
não passa de um recomeço. 
Perder é ganhar algo melhor.
Perdão pelas dores causadas aí
em ti. 

                                              Dedicado a morena de meu amor.
                                                                        ... eu sinto muito toda a dor que eu causei♫

Víbora da tua boca.


Não fui o teu esperado,
teu sonho perfeito em madrugada branda.
Fui o terror de teus cachos,
a discórdia de teu lar, a separação de seus afins. 
Não fui programada pra ser eterno,
nem perfeição caberia em mim, não creio.
Fui desumana e absurdamente víbora.
Hoje sou o veneno que escorre de tua boca
e que de boca em boca falece todo o ar.
Onde passar deixarei destruição, 
porque eu me tornei o monstro do teu,
do meu, do nosso armário.
Sinto.
A necessidade é tamanha, alguém precisa 
(deve) ser o cruel, o mau e restou a mim
função, só cabia a mim. 
Eu, criatura imperfeita e infiel.
Sangro e sofro pelo mal que causo,
só nos falta compreensão.
Tentar entender os motivos não me levará
a cruz mais uma vez.

                                                                  Perdão!

Queria.


Queria um gole do teu sorriso,
queria cair em teus braços e
torna-los refugio certo.
Queria sentir teus olhos sobre mim,
queria castigar minhas orações em ti.
Queria teu cheiro impregnado,
queria tuas pernas tremulas por mim.
Queria lágrimas distantes,
queria ouvidos atentos.
Queria boca suave e branda,
queria o mar de teus cachos.
Queria teus pés pisoteando os meus,
queria o calor de tua presença.
Apenas queria que estivesse. 

Crimes contra ti.


De onde teus pés repousam
mariposas despedem-se de si.
De onde teus olhos passeiam
grilos cativam teu querer.
De onde tua boca diz
gatos miam cuidadosamente.
De onde tua alma encontra-se
dedos e mente controlam
toda razão de ficar.
Repouse teus cachos e crie-se 
longe de ti, longe dos muros 
implantados em comodismos vãos.
De onde teu penar vem
teus dentes rangem por vontade tua.
Parta, antes de partir-se ao meio...
a margem de ti. 

Menina mãe.


Que teu canto seja meu,
que meu canto seja em teu colo.
Guia passos, lábios e gestos. 
Esteja presente em mim e não 
abandone teu (a)mar. 

                                                Salve a menina d'água!