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Ultima mente.

Shaden

Os pés latejam no cansaço,
as mãos calejam na persistência,
os olhos lacrimejam sofrimento.
O coração padece e a prece 
é tão certa quanto o partir.
O caminho é estreito 
e a cantiga de ninar é o deboche do dia.
As pessoas distantes, 
o irmão na vida e eu cá.
O silêncio serra meu ar,
as incertezas regaçam meu coração
e o medo coloca-me por baixo de mim.
É o que chamam de vida,
é o que eu ataco todos os dias
pra não morrer de viver.

De dois, nem um.

 Rosen
 
Dos amores, o fim,
dos males, a dor.
Café ficou pouco, frio
e o açúcar deixou, abandonou.
Cigarro queimou,
matou, apagou.
Eu viciei, presenciei.
Eu desviciei, despresenciei.
Casa ocupou, domou
e depois limpou, esvaziou.
Boca sem riso,
olhos um rio.
Olhos sem beijos,
boca sem desejo.
Viciei e acreditou.
Também preciso ser vicio.

Por vergonha.


Então você percebe que esta morrendo aos poucos, mas prefere manter num segredo quieto em silêncio. 
A vergonha é maior, o sentimento pode te tornar um ser ridículo, ridículo igual a esse sentimento sem fundamento algum, 
só sangra.

Tortura.

 
Começa a noite,
meus pés não sentem os teus.
Pela manhã a boca amarga
e suplica um beijo.
A tarde já é tarde e
a noite não demora pra magoar.
É muito mais do que manter
meu corpo colado ao passado,
é muito mais do que esquivar
o desejo, a vontade vã.
Eu rezo e desacredito com fé,
choro e dou gargalhadas da minha desgraça.
Eu mereci escorregar da ponte
e mergulhar nessas águas. 
Foi por vontade de querer ser,
foi por pedir amor que eu esbarrei
nessa cachoeira de pedras.
Machuco meu ego com coisas tuas 
e a cada dia meu estômago desanda, 
ameaça parar.
A vontade de estar não existe mais
e o desejo de desaparecer me mantém
viva, na esperança de algo melhor. 

'do fim.


Esse meu suicídio é cometido
para alivio imediato de amor teu.
Esse meu suicídio é sinal claro
de que eu não posso ser o que queres.
Esse meu suicido...
Um dia a mais eu me vejo naquele 
velho balanço, balançando o juízo
e o resto de esperança que sem tem.
Se foi junto com a saudade um 
amor materno que eu acreditava ser real,
mas banal.
Descobri de forma bruta o quanto o amor,
o teu amor,
pode sufocar-me até a morte.
Esse meu suicídio é sinal de fim,
de que cansei de insistir no teu amor
aceitando meus modos de ser,
aceitando-me como vim.

                                                  é o fim.. 

Não, não sou.


Eu sinto muito por não ser sua perfeição,
por ter nascido com esse defeito de amor.
Perdoe-me!
Não posso mudar o que já era pra ser,
não posso esconder o que minha alma pede pra ser.
Sinto muito por não lhe encher de orgulho
tentando ser tua imagem e semelhança.
Perdoe-me por pecar no meu modo de existir.

Inundação.


Adormeço por não estar
e meu jardim florido acolhe
pranto e canto meu.
Os suspiros estão guardando-se
e as lágrimas transbordam além vida,
provocando a inundação dor.
É um mesmo penar,
é um mesmo querer,
é um outro amor.
As nuvens derrubam aqui o suficiente
e eu busco delas o que será fundamental
para o fim, para a partida rumo
a lugar nenhum de mim.
É inútil a tentativa,
é inútil querer perder todo meu amor
em teus olhos negros. Inútil. 

Que sinto, sinto.



Acabei de sentir uma dor enorme aqui no peito (aquela mesma dor) e eu não sei se dessa vez eu suporto. Ando meio cansada disso e nunca passei por essas coisas e nem nada parecido. Mandaram-me ter paciência e eu até tento, mas na prática é difícil, sabe?! Eu não sei até quando continuarei aqui, não sei. E se eu partir a culpa será toda sua. A culpa será sua por eu partir esse amor.

                                 "(...) a gente é feito pra acabar..." ♪

Falta faltar.


Sinto que não sinto,
sinto que falta, falta um pedaço.
Parecia tão completo e perfeito,
mas olhando de um outro lado,
o oposto, eu sinto que falta.
Ninguém implantou ideia absurda em mim
eu bem sei por mim de mim que falta, 
falta faltar o ar.
Enganaremos, enganamos constantemente 
os pulsos e respiração. 
Sente daí a falta 
e eu sinto de cá que falta.

Desastrosa.


Não quero gotas de saudades,
não quero tuas mãos em minha vida
e nem teu cheiro por volta de mim.
Não quero teus olhos em mim,
não quero  meu nome escrito em tua boca
e não quero teus dentes em pele minha. 
Foi a criatura que protegi e hoje feriu-me
vagarosamente de forma desamorosa.
Esqueça-me!
Não faz mais parte de mim, 
em mim não cabe mais resto teu. 
Faça o mesmo de mim em você.
Deixe-me partir sem precisar que eu 
leve as marcas de tudo que me causou.
Deixe-me!

'do nosso recomeço.


Abandonei teu braços 
e fiz dos conflitos aprendizado.
Fez sair de mim todo o amor
em gotas de decepção. 
Eu acreditava no amor... acreditava.
Fomos o passo certo, a certeza
daquela velha estória de amizade.
Fomos o calor do sol em dias frio,
a crença dos cegos... fomos amor.
Agora nos resta saudades de 
um tempo bom, em que dois bastava. 
Agora tristeza de fim, mas creia que tudo
não passa de um recomeço. 
Perder é ganhar algo melhor.
Perdão pelas dores causadas aí
em ti. 

                                              Dedicado a morena de meu amor.
                                                                        ... eu sinto muito toda a dor que eu causei♫

Víbora da tua boca.


Não fui o teu esperado,
teu sonho perfeito em madrugada branda.
Fui o terror de teus cachos,
a discórdia de teu lar, a separação de seus afins. 
Não fui programada pra ser eterno,
nem perfeição caberia em mim, não creio.
Fui desumana e absurdamente víbora.
Hoje sou o veneno que escorre de tua boca
e que de boca em boca falece todo o ar.
Onde passar deixarei destruição, 
porque eu me tornei o monstro do teu,
do meu, do nosso armário.
Sinto.
A necessidade é tamanha, alguém precisa 
(deve) ser o cruel, o mau e restou a mim
função, só cabia a mim. 
Eu, criatura imperfeita e infiel.
Sangro e sofro pelo mal que causo,
só nos falta compreensão.
Tentar entender os motivos não me levará
a cruz mais uma vez.

                                                                  Perdão!

Crimes contra ti.


De onde teus pés repousam
mariposas despedem-se de si.
De onde teus olhos passeiam
grilos cativam teu querer.
De onde tua boca diz
gatos miam cuidadosamente.
De onde tua alma encontra-se
dedos e mente controlam
toda razão de ficar.
Repouse teus cachos e crie-se 
longe de ti, longe dos muros 
implantados em comodismos vãos.
De onde teu penar vem
teus dentes rangem por vontade tua.
Parta, antes de partir-se ao meio...
a margem de ti. 

Quase nada.


Teu aviso foi curto, 
claramente dito.
Tudo o que foi deveria ter
ido desde antes teu nascer.
Acabou, tornou-se pó.
A multidão abomina teu cheiro
e tuas vestes desprendem-se de ti.
O culpado, o errante, o humanizado.
Que deuses perdoem seus milhares
de erros e pecados dados a tua boca.
Respire e respingue a ti... corra.

Dona Ferina.


Se cala diante da boca imunda, 
da vida que aflige a alma,
da normalidade brutal socialmente 
implantada na tua mente, mente.
Eu prefiro morte!
Numa outra vida de sorte quero
corpo e alma em outro lugar,
outro céu azul, outro mar, 
uma outra raça digna de ser raça.
Humanos desumanizados.
Homens covardes, mulheres tolas.
Crianças infelizes, famintas.
Eu rogo, eu condeno a ti que cala-se
diante de tanta imundice humana, 
tanta covardia. 

"... e viva a sociedade ferina."


                                                                :: poucas palavras diante do que há.
                                                                            tanta gente e tão pouco amor.

Descolori.


Vontades múltiplas, desejos impossíveis.
Dizer que é fácil torna-se complicado no
ponto de vista mais alto, mais pálido.
Vens e senta-se aqui no que me apoia
e entenderás que nem tua verdade cura.
Vens e bebe da minha sede, apossa-se 
de mim e verás o que só meus olhos 
podem devorar. Vens!
Tudo é simples quando é colorido, mas
as cores fugiram de mim. Elas buscam
caixas de tamanhos inimagináveis e fogem,
correm para bem longe da minha felicidade.