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Segunda Tarde.


Senta teu humor
e aquece minha fadiga.
Desvia teus olhos dos meus,
cante tuas cantigas
e devore teu tempo.
Passos feito asas,
boca feito céus
e olhos feito mar.
Mãos que agarram,
ar que prende-me.
Desprenda e aprenda a viver
por ti, pelos passos teus.
Deixe-me levantar os passos,
agir de boa fé
e agredi-la de adeus.
Decora teu riso na sala
e deixe eu construir o meu.
Desfia-se de mim,
desprenda-se e parta-me.

Atualmente.

Beata Rydén
Eu que sonhei
e rabisquei 
vontades minhas,
hoje mergulho 
no vão improviso.
Eu que comi
e lambi 
as vontades alheias,
hoje provo 
do veneno
maligno.
Veneno é pouco
pra tanto mal.

De dois, nem um.

 Rosen
 
Dos amores, o fim,
dos males, a dor.
Café ficou pouco, frio
e o açúcar deixou, abandonou.
Cigarro queimou,
matou, apagou.
Eu viciei, presenciei.
Eu desviciei, despresenciei.
Casa ocupou, domou
e depois limpou, esvaziou.
Boca sem riso,
olhos um rio.
Olhos sem beijos,
boca sem desejo.
Viciei e acreditou.
Também preciso ser vicio.

Faltava.


 
É, eu nunca te amei.
Não por não querer, não por ser covarde, covardia nunca dominou.
Não amei por você não querer que eu te amasse. Não amei.
Pensei em amar, domar, regar, alimentar. Mas não quis nem meu querer de amor.
Eu só não te amei por você ser tão raso, eu não caberia por completo em você e só restaria de mim mais amor, teria que ter mais pessoas pra eu caber.
Não te amei, mas poderia ter ficado em teus braços. Não te amei, mas poderia ter adormecido meus olhos nos teus. Não te amei, mas poderia dizer, com voz doce, eu te amo.
Não te amei e não foi por falta de amor.

Opostas.

Ao som de Priscilla Ahn.
 
 
Somos opostas,
somos postas à prova
de um possível amor.
Somos opostas,
somos o oposto que procurávamos
em um amor.
Somos opostas,
somos a metade do que faltava
em nós.
Somos, somos duas almas e
cada uma mira pra uma direção exata,
você olha pra lá e eu sinto de cá.
Somos opostas,
arriscamos um amor futuro
mesmo sabendo que pode haver
de não haver amor.
Somos opostas e
te peço que seja aqui.
Somos o que podemos ser,
somos amor, mesmo que um,
mas podemos ser dois
sem uma divisão brutal.
Somos opostas
e eu quero ser a metade do teu contrário.

Sensível sentir.

 
O artista tem a sensibilidade que te faz ver o que você não sente.

Entregue.


Me sinto seduzido,
encantado e apaixonado.
Tua pele tem cheiro bom,
tua boca gosto bom e
teus olhos jeito de dengo.
Amarre-se em mim e não desgrude,
arranque-se de mim, mas não se vá.
Estou feito menino bobo 
entregue nas mãos da vida,
entregue nas mãos do amor.
Entregue em teu olhar. 

Meu.

 AK
 
Eu repouso minhas incertezas
numa calmaria de estar.
Eu canto um canto
que abriga meu eu e
que obriga de mim um eu.
Estou e pretendo partir,
partir-me como trindade.
Ser fera brutalmente sã e
correr o risco de ser meu.
Agora o rio acalma-se e
o que era frio faz-se paz,
poesia ferida, real.
A pele já conhece as gotas
e não quer mais derreter-se.
Chega de apelo,
que o futuro seja meu!

Amor picula.

"... nossos destinos foram traçados na maternidade." 


Eu sei, tudo estava planejado por alguém lá de cima ou até mesmo daqui de casa. 
Primeiro era aquele contato dos nossos olhos brincando, pegando picula na rua, jogando bola. Até que eu, eu, percebi que tinha mais ali em ti.
Um dia você chegou perto, como sempre fez, mas minhas pernas perderam o costume e tremeram. Minha boca secou e o coração fazia uma festa estranha dentro do peito. Eu olhei, você sorriu e tudo resolveu colorir. Teus olhos estavam em mim, minhas mãos em ti e o amor aqui. 
Perdemos a inocência da infância, ficamos gente grande e eu percebi um monte de coisas que você ainda não havia notado. 
O tempo passou, eu fui e você ficou, por pouco pendurado em mim. Mas não, não pode ser assim, eu precisava evoluir, mostrar meus pensamentos por aí. E fui. Não me arrependo de minhas decisões e reconheço que as consequência serão minhas, de acordo com o que eu quis. Agora eu sigo, tento tocar o céu. Meu carinho por ti ainda é grande e ainda te gosto, só que hoje é do jeito que foi um dia, aquele gostar de irmão-amigo.  

Dedicado.

A . . manhã.


Condenada por te querer,
desgraçada por insistir em ti.
Foi um erro bruto escolher estar,
foi uma desordem fatal esse teu olhar.
O que motiva minhas pernas é o tempo
e o que me faz querer seguir é a vida. 
Fomos cruel por não querer, 
somos desumanas por sentir. 
Não seja bruta, assuma!

Mia amor.

 Sara

A minha obediência é amor, o meu objetivo é estar.

Velho seguir.


Aquele velho e inútil segredo de seguir, seguir e esquecer o passado.
É o desejo inconsequente de tentar só mais uma vez, de derramar só um pouco mais, em vão. 
Espalhar-se por tão pouco ou por tudo que quis, que acreditou ser o ideal, o fatal.
Meus pés teimosos retornam, minha boca grita nome, meus olhos imploram os teus, meus dedos apontam ontem, meu coração diz a cada segundo o que deve ser e meu tudo grita em desespero, volte! 
O velho birrento de sabedoria dentro de mim diz calma, eu não prometo, mas tento. 
Que será depois dalí, que será? Eu vou, mas não volto pra te contar.

Venha e conte, cante.


Sente-se aqui e conte, fale de você e dos seus pecados assumidos, explícitos.
Conte tudo de uma vez, diga o que fez, diga. Fale o que te deixou tão aflito, tão menino largado. 
Renda-se ao meu colo e caia aqui, tranquilo. Repouse confiança e conte, cante o que te aflige.
Tuas mãos estão distantes, não podem tocar as minhas. Deixe um suspiro de algo aqui que é pra eu tentar salvação para ti, salvar de ti a ti mesmo. Mostre-me tuas mãos e teu pecado, eu posso decora-lo de perdão.
Esteja aqui nesse café da tarde, traga a tua vida e tua presença. Quero-te hoje com verdade.

Estrada.


Aquele velho caminho que me leva a lugar algum.
A mesma estrada que cansa meus pés e aborrece minha mente. 
Esse é meu pior pesadelo, o de seguir sem saber do que virá.