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Querer, meu querer.


Um sonho que não cabe 
em minhas mãos, em dedos.
Não se comporta em estar e 
não se conforma em ainda não ser.
O desejo de deixar palavra voar,
a coragem de deixa-la ir rumo mundo
sem precisar que eu esteja lá.
Assim a alma percorre mundos,
destrói e constrói universos.
Deixa inteligência e ideias,
mata o mal e transforma...
traz sabedoria.
Que as palavras que saem daqui 
sejam portas sem limites,
sejam pássaros cantarolando conhecimento,
seja monstro derrubando árvores de orgulhos
e plantando sementes de curiosidade.
Que seja real e imortal,
que sejam palavras minhas e tuas.

Atriz em mim.

Enrica de Nicola

























Já nasci assim de carne e osso.
Quanto ao drama, deixe-me cair na arte de interpretar os seres.
Melhor que isto só eu vestida de eu, drama puro.

Não o quero mais, penar.

                       Ao som de Elis Regina
A tua cura, meu mal.

Brooke Shaden

























As pernas de Maria estão amarradas a sua
maldita e inaceitável sorte.
Crer em um deus não a colocaria para
fora daquele penar, daquela prece.
Suplico teu amor!
Não bastava ter suas dores
em casas de ferros que acumulavam
o ferrugem de alma negra,
ela ainda queria viver dessa forma,
no amor bandido de seu ser amado.
Que queres de mim?
Ela entregou seu amor para ele,
mostrou sua alma e lhe contou em seus
olhos tudo o que havia nela.
Veste-me enquanto há tempo.
Colocou-se a implorar que fosse embora,
deixe que ele mesmo vá.
Ela penou, mas soube morrer depois
da forma mais sublime possível.
Não compreendo esse penar,
nunca entendi nada de amar.

O cabramacho.

"Matava tudo na base de 
meu chicote."

Sempre fui um moço serio, respeitado
e amado por minha amada, a Marilia.
Ela nunca que havia trocado meu amor,
respirava o mesmo ar que eu, até o dia
em que decidiu viver a vida, vida de ilusão.
Pegou sua saia amarela, amarrou a fita rosa nos
seus cabelos, passou o batom rosa que eu
havia lhe dado, usou o perfume que era de minha mãe,
roubado por mim para que Marilia fosse feliz.
Colocou seu salto e foi em direção a venda de Seu Menino.
Chamou Tião, Miqueias, Jura e o Pedro.
Pediu cachaça, tomou um gole, dois, três...
colo de Tião, braços de Pedro, lábios de Miqueias,
pernas de Mateus, mãos de Jura...
Me doeu até o caroço do meu coração
ver Marília me causar todo aquele mal.
Fui pra casa revoltado, quebrei a louça de minha mãe,
amassei os papéis de meu pai, panhei meu chicote e
voltei na venda pra dá uma surra em Marília.
Ela ia aprender a lição, mulher direita não é assim,
tem que se dar o respeito e se colocar no seu lugar.
Regacei as mangas e olhei nos olhos de Tião.
Quebro tua cara, rasgo as costas de Jura, dou cascudo 
em Miqueias, mato Mateus, regaço os dentes de Pedro.
Largue Marília!
Olhei bem nos olhos de Pedro, ele correu, os outros
foram junto de medo, Miqueias ficou, pediu o cascudo.
A venda ganhou plateia, Seu Menino dono da venda
num saiu de traz do balcão.
Me dê uma cachaça, pra ficar tudo por igual.
Virei a pinga num gosto só e lasquei o chicote nas fuças de
Miqueias, ele veio pra cima de mim, eu dei o cascudo
ameaçado. Ponta pé e sem querer um abraço.
Vem filho do cabrunco. Desgraça eu faço ne tua cara.
Ele baixou a cabeça, panhou o chapéu e se picou.
Eu cabra macho fiquei e tomei mais três dose.
Depois fui em casa e encontrei Marília no sono de cachaça.
Tirei seu salto e cobri seu corpo.
No outro dia Marília tava lá no pé do fogão preparando
a buchada de bode pra mim.
É besta não égua!

Meio dialogo.

-Tem certeza?
-Já disse que sim.
-E seu pai?
-Ele vai ter que aceitar uma hora.
-Mas...
-Não, não começa! Já disse que quero.
-A escova de...
-Já peguei e já peguei também.
-Você vai fazer falta.
-Vou indo.
-Te amo.
-Eu te ligo.