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Raquel.

Eu não o amo!
Meu senhor nem desconfia de minha tamanha ousadia. Às vezes, quando fica tarde, espero que ele durma para que eu possa partir rumo aos braços de minha futura discórdia. Espero me arrepender de tudo isto, sei bem que aos olhos de Deus isto é pecado mortal, mas prossigo nessa doença infame que consome meu juízo.
Fui muito bem educada, recebi todos os conhecimentos sobre minha fé. Eu ia as missas, mas agora o corpo que comungo, que me alimenta não é o do Cristo. Meu senhor ainda acredita em mim, pensa que sou uma mulher de fé, de temor a Deus. Como poderia eu mentir para ele? Nunca. Aproveito-me disto.
Já faz duas semanas que aquele rapaz aquece meu corpo pálido, faz duas semanas que meu senhor procura-me e estou enferma, com dores no corpo, enxaqueca, dor de dente, dor na consciência. Cada dia eu lhe dou uma dor diferente, mas o faço por não suportar mais que ele toque meu rosto, meus dedos, minha boca. Não o amo mais!
Espero que Deus nos perdoe, espero que me perdoe. 
Nesse breve momento meu quarto se faz em silêncio e eu ainda penso se me vale mesmo estar aqui, eu poderia fugir. Talvez numa outra cidade eu poderia mostrar minha face... sou incapaz. 
Sou covarde o suficiente para continuar não amando meu senhor. 

Do realizar.

- O senhor não sabe?
- Para dizer o que eu sinto, quero saber antes se o que eu sinto é o mesmo que se deve sentir quando se está realizado, ou se  julgar estar. E para isso é preciso saber o que é estar realizado.

Gravação. Drummond.

Sem título, extraído d'alma.

É assim que nós morremos,
não no sentido literal,
mas sim porque tudo se desvanece
e este, é realmente o final.

O coração deixou de lutar
e agora só o vazio o sabe preencher
e por muito que se tente afastar,
há sempre algo que o faz reviver.

É de lamentar a distância,
que tem sido uma constante repetição,
que apensa fortalece a mágoa
e aumenta a desilusão.

É de lamentar a indiferença,
que repentinamente, sempre vem surgir,
que afasta as ilusões
e a simplicidade de sorrir.

É de lamentar tudo isto,
todo este processo tão nosso conhecido,
que sempre aumenta a tristeza,
como se nada tivesse existido.

Incógnita.

Leia esse e outros textos aqui.

Ignorar não resolve. Amor há, sempre houve. 

Não sei!

Passo por tantos outros universos
e me deparo com a vontade de viver.
Mas o que seria esse viver para os donos
desses tais universos?

Leio e Penso #005'

Ela se levanta diariamente com os mesmos pensamentos:
-Ele esta lá fora!
Desce as escadas apressada e abre a porta rapidamente,
não há ninguém. Ele a prometeu que iria um dia vê-la,
mas nunca apareceu nem mesmo para um chá.
Decepcionada em mais uma vez não haver ninguém a porta
volta as escadas, mas agora lentamente. Sobe para seu quarto.
Se martiriza em pensar que ele poderia estar ali com ela,
conversando, trocando idéias, rindo de bobagens.
Mas nada é como ela quer, nada.
Ela ainda o aguarda, quem sabe um dia ele não vêm.

Luana Almeida.

Leio e Penso #004'


Ela se apoiou na ponte e suspirou,
Rezou aos deuses que a perdoasse por tamanho absurdo.
Olhou para a água que calmamente corria abaixo de seus pés,
fechou os olhos e tomou uma decisão.
Mas, morrer ou não? Por amor?
Que réu maldito esse que lhe fez amar tanto,
Que juiz miserável que lhe tormenta a alma, que a obriga
a carrega-lo até seu descanso.
Seria a melhor decisão... ela se atirou.
A beleza da morta junto com a beleza daquela água pura,
Que se fez transparecer a maior prova de amor jamais vista na morte.

Luana Almeida.

Leio e Penso #003'


Minhas mãos...
Sujas, do teu sangue.
Na boca ainda há o recado dos mares,
das crianças e das criaturas.
Eu fiquei feliz... chorei!
No poço de lá me atirei,
vejo meu corpo caindo aos poucos.
Me vejo repousando para uma nova vida.

Luana Almeida.

Leio e Penso #002'


Essas imagens que me deixa tonto..
essas mulheres coladas nas paredes,
faces lindas, escondidas de beleza.
Essas imagens que me deixa viciado,
amarrado, sufocado... imagens.
Essas imagens, uma droga
um cigarro acendido no meu
desespero, no meu sofrer.
Mulheres que me prendem,
que prendem a humanidade,
que escraviza...
Magras, altas, bonitas...
Imagens que me cegam,
que me fazem segui-las.

Luana Almeida.

Leio e Penso #001'



Quem é você
Pra me dizer o que fazer?
Quem é você
Pra me mandar parar de andar
e olhar pro céu?
Quem é você?
Você sabe?
Acha que pode convencer a quem
com esse seu olhar intrigante?
A sociedade esta aí,
cega!
Mas eu meu caro,
Estou bem,
não preciso de seus conselhos.
Pegue logo tudo
e deixe esse mundo de uma vez.
Enganar a quem?
Aos bobos da corte?
Aos otários do plenário?
A mim não,
Já teve a oportunidade
Aproveitou dela, agora é hora do fim.
Vá!
E não me mande fazer mais nada.

Luana Almeida.