O cabramacho.

"Matava tudo na base de 
meu chicote."

Sempre fui um moço serio, respeitado
e amado por minha amada, a Marilia.
Ela nunca que havia trocado meu amor,
respirava o mesmo ar que eu, até o dia
em que decidiu viver a vida, vida de ilusão.
Pegou sua saia amarela, amarrou a fita rosa nos
seus cabelos, passou o batom rosa que eu
havia lhe dado, usou o perfume que era de minha mãe,
roubado por mim para que Marilia fosse feliz.
Colocou seu salto e foi em direção a venda de Seu Menino.
Chamou Tião, Miqueias, Jura e o Pedro.
Pediu cachaça, tomou um gole, dois, três...
colo de Tião, braços de Pedro, lábios de Miqueias,
pernas de Mateus, mãos de Jura...
Me doeu até o caroço do meu coração
ver Marília me causar todo aquele mal.
Fui pra casa revoltado, quebrei a louça de minha mãe,
amassei os papéis de meu pai, panhei meu chicote e
voltei na venda pra dá uma surra em Marília.
Ela ia aprender a lição, mulher direita não é assim,
tem que se dar o respeito e se colocar no seu lugar.
Regacei as mangas e olhei nos olhos de Tião.
Quebro tua cara, rasgo as costas de Jura, dou cascudo 
em Miqueias, mato Mateus, regaço os dentes de Pedro.
Largue Marília!
Olhei bem nos olhos de Pedro, ele correu, os outros
foram junto de medo, Miqueias ficou, pediu o cascudo.
A venda ganhou plateia, Seu Menino dono da venda
num saiu de traz do balcão.
Me dê uma cachaça, pra ficar tudo por igual.
Virei a pinga num gosto só e lasquei o chicote nas fuças de
Miqueias, ele veio pra cima de mim, eu dei o cascudo
ameaçado. Ponta pé e sem querer um abraço.
Vem filho do cabrunco. Desgraça eu faço ne tua cara.
Ele baixou a cabeça, panhou o chapéu e se picou.
Eu cabra macho fiquei e tomei mais três dose.
Depois fui em casa e encontrei Marília no sono de cachaça.
Tirei seu salto e cobri seu corpo.
No outro dia Marília tava lá no pé do fogão preparando
a buchada de bode pra mim.
É besta não égua!

3 comentários:

Patricia Thomaz disse...

Adorei.Perfeita harmonia e intensidade. Gosto da forma como escreves. Bjo.

Juliana Almeida disse...

(risos eternos)
Como eu gosto do meu sertão, da linguagem que a gente possui no corpo, na voz! Como eu gosto de sua escrita, e de tudo que já escreveu, esse é o meu preferido"
"Vem filho do cabrunco. Desgraça eu faço ne tua cara." (Eu já falei isso, kkkkk)
Amo você minha doçura de luz, seu talento é imensurável!

Zé Wellington disse...

Eh perfeito como sinto esse sotaque soar aos meus ouvidos. Atidudes típicas de um verdadeiro Macho-Jurubeba, Cabramacho, que ama de forma rude, mas ama.